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Carlos Busch

Neto de alemães, nascido em São Paulo. Pesidente do Cube Kolping de ______ até 2013. Clube Kolping situa-se no bairro do Campo Belo, na cidade de São Paulo e funciona desde ___________. Coordenador do do grupo de dança folclórica alemã no clube. Formou-se em engenharia em _______, na ____________. Aposentado. Casou-se com uma mulher do Sul, após a morte do pai começou a viver próximo a cultura alemã, o que o levou ao Kolping nos anos 80. Imagem do Depoente
Nome:Carlos Busch
Gênero:Masculino
Profissão:Engenheiro
Nacionalidade:Brasil
Naturalidade:Ferraz de Vasconcelos

Transcrição do depoimento de CARLOS HENRI BUSCH

Universidade Municipal de São Caetano do Sul

Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa



Memórias do ABC



Depoimento de, CARLOS HENRI BUSCH 49 anos.

USCS – Universidade de São Caetano do Sul, 8 de agosto de 2013.

Entrevistadores: Alberto e Mariana



Boa Tarde. É.. , hoje é oito de agosto de 2013, a gente vai fazer a entrevista com Sr Carlos Busch. O projeto é: associações alemãs em São Paulo, núcleo de ______(não entendi) da comunidade germânica. O pesquisador sou eu Alberto. Hoje a entrevista é feita por mim e pela Mariana, e o operador de câmera é o Henrique. Também contamos com a presença da Beatriz da iniciação científica e eu gostaria que o senhor começasse falando seu nome , onde o senhor nasceu a cidade em que o senhor nasceu, falasse um pouquinho da sua infância.

Resposta:

Meu nome é Carlos Henri Busch, sou nascido em Ferraz de Vasconcelos, em São Paulo, no dia 9 de novembro de 1963. [momento em silêncio] Venho de Ferraz de Vasconcelos. Por parte de profissão do pai que era pastor da Igreja evangélica Luterana, e que a igreja onde ele começou o trabalho todo foi em Ferraz de Vasconcelos, por isso que eu vim de Ferraz de Vasconcelos, nasci em Ferraz de Vasconcelos. Depois se mudando (para São Paulo onde ele foi, digamos assim, promovido, e ai São Paulo é meu... é minha cidade mais natal, vamos falar assim, do que Ferraz de Vasconcelos. A respeito de, da infância, é ..., a gente morou muito tempo na Lapa, até meu pai falecer quando eu tinha onze anos , e ai depois eu mudei para) Santo Amaro por conseqüência de estudo e de bolsas de estudo. E ai eu vim morar nessa região de Santo Amaro. Estudei em dois colégios alemães, no Colégio ______(romas), dois anos e depois no Porto Seguro, no Morumbi, onde a minha mãe era secretária e a minha tia era professora. Essa foi... assim... parte de... rápido da infância. Aí, que mais?

Pergunta:

O senhor saiu de lá, de Ferraz de Vasconcelos, com quantos anos?

Resposta:

De lá eu sai muito pequeno, é, eu tinha, acho, que dois anos de idade, tanto que a minha irmã que tem a diferença de dois anos para) mim, já nasceu no Brás, então já tinha sido transferido para São Paulo quando eu tinha 2 anos de idade, então muito jovem eu vim pra (para)cá.

Pergunta:

O seu pai veio para Ferraz por conta da Igreja?

Resposta:

Sim, na verdade é assim, ele se formou em Teologia na faculdade de São Leopoldo, e quando os pastores naquela época se formavam, eles tinham que escolher uma , vamo (vamos) falar assim, uma comunidade, não era bem escolher, mas eles tinham que ir aonde tinha uma comunidade para eles poderem trabalhar e foi colocado Ferraz de Vasconcelos como sendo uma das comunidades Luteranas. Ferraz de Vasconcelos nessa época, na década de sessenta, tinha muito imigrante alemão. Muitos eram donos de sítios e chácaras naquela região, né? E só sabiam falar alemão, então os cultos, a maioria deles eram em alemão. Então foi pra (para) lá que foi deslocado. É.... isso junto com minha mãe que se conheceram no Rio Grande do Sul, eles se conheceram no Rio Grande do Sul e depois vieram pra (para) São Paulo juntos. Essa, por isso que foi Ferraz primeiro né? Depois conforme foi crescendo a comunidade, foi tendo maior importância o Pastor, ai ele foi deslocado para a igreja aqui do Centro, na Avenida Rio Branco,daí porque nós viemos morar em Santana, primeiro, depois Lapa e depois Santo Amaro.

Pergunta:

E, na sua infância como é que eram as brincadeiras, ____ ( não entendi)?

Resposta:

É...., digamos que é assim, as primeiras amizades vieram pelo colégio. Como não era um colégio alemão era um colégio brasileiro, o meu primeiro contato, então as brincadeiras, era brincadeiras de criança, de criança brasileira, então pega-pega, essas coisas ai., né? Depois quando eu me mudei para Santo Amaro, que comecei a, estudar no colégio alemão, já tava (estava) na quinta série, ai que eu comecei a desenvolver não brincadeiras, mas sim em esportes e ligados mais com a cultura germânicas, handbol, né? Não futebol que é brasileiro puramente, mas com basquete com handbol, outras brincadeiras que a gente fazia, né?

Pergunta:

O senhor chegou a competir jogando algum esporte?

Resposta:

Sim, no basquete até meus catorze anos, depois eu parei, devia ter continuado, mas parei.

Pergunta:

Por que o senhor parou?

Resposta:

Por contingências de mãe trabalhando e eu fui convidado a, tocar, treinar no São Paulo, mas como ficava muito fora de mão, na época, e a gente era com catorze anos e minha mãe não era muito adepta de andar de ônibus em São Paulo, então eu acabei não seguindo essa parte profissional de basquete, mas cheguei perto.

Pergunta:

E, como era a relação de vocês em casa, seu pai, sua mãe?

Resposta:

Junto com meu pai eu tenho pouca lembrança né? Porque ele ficou muito tempo doente então a gente acabava não quase vendo os meus pais. Meu pai e minha mãe. Ele ficou quase três, quatro anos indo de hospital em hospital, então a gente ficou mais ligado a parte de tia e avó. Então não tenho muita lembrança, depois do falecimento dele é como qualquer família que perde um ente querido, ou uma base da família, ela se une muito. Então muitos costumes que eram germânicos a gente manteve como base de educação, então, por exemplo, jantar a noite todo dia junto, café da tarde, é, sentar pra conversar, então são coisas que a gente manteve por causa da educação, né? Minha e da minha irmã , então a gente acabou criando um núcleo. Eu acho que ai que deu essa relação familiar fe.., não fechada mas, mais próxima, com mãe, tia e avó. Ai deu pra (para) manter a base da educação.

Pergunta:

E falavam alemão em casa?

Resposta:

Muito pouco. Muito pouco porque existe uma história curiosa. Meu pai, por vir de uma, de pais alemães, ele se sentia muito forçado em fazer coisas que a (vvvv ) mãe dele mandava, e ele prometeu que os filhos dele, não iam ser assim, que eles iam criar o seu caminho e escolher que língua falar, que rumo tomar. Então ele acabou , não vou falar relaxando, mas ele não queria nada forçado. Uma curiosidade, minha mãe teve que aprender a falar alemão pra (para) poder namorá-lo se não minha sogra, a minha vó, (avó) não ia deixar namorar. Então teve que aprender alemão pra poder namorá-lo, então essas coisas que deixam muito marcado ele. Então a gente começou a parte educacional a gente foi pra esse colégio brasileiro que não tinha nenhuma raiz, não tinha nada. A nossa única ligação que a gente tinha com a língua alemã era o, a igreja, mas mesmo assim muito pouco, porque meu pai foi primeiro pastor a fazer culto em português, na Igreja Luterana. Então a gente acabou não tendo essa relação de língua até o falecimento dele muito forte. Eu voltei a estudar línguas, quer dizer, voltei a estudar idioma, depois da morte dele, quando fui pro (para o) mundo. Ai que eu fui ver o alemão de novo, mas ai eu já tinha perdido, praticamente, aquela fase que você consegue absorver sem estudar, né? Depois, quando se começa a ter, entra na adolescência pra frente, é difícil você falar como se fala na língua materna. Então a gente perdeu isso um pouquinho, eu e minha irmã.

Pergunta:

Ai os dois falam?

Resposta:

Sim. Eu falo, me viro, mas a minha irmã por exemplo, que agora até faz tempo que ela não fala, perdeu completamente. Ela fala truncado, a minha irmã fala meio..., mas eu ainda consigo pedir um pão com manteiga lá. (risos ).

Pergunta:

Conta um pouquinho pra (para) gente essa trajetória dos seus pais. Seu pai era mineiro, sua mãe gaucha, o momento como eles se encontram?

Resposta:

Meu pai era Mineirão por contingência de meus avós, que vieram para uma comunidade, meu avô era pastor também, e ele veio para uma comunidade em Juiz de Fora. Como eles casaram no Brasil, quer dizer, já se conheciam na Alemanha, eles casaram aqui no Brasil, a cidade maior era mais próxima era Belo Horizonte, por isso que nasceu em Belo Horizonte. A minha mãe, gaucha, de Carazinho. Ela foi estudar, naquela época, tinha curso técnico de serviços do lar, em São Leopoldo, num colégio interno e meu pai era da faculdade de teologia, então nos eventos que tinham de festa na cidade os dois se encontraram. Foi assim que eles se conheceram. Lá eles começaram a namorar tudo, né?, Casaram em Petrópolis, porque o meu avô depois foi deslocado pra (para) Petrópolis com o Pastor, e ele que fez o casamento. Então é meio confuso, mas em Petrópolis e depois ai é que eles vem de Petrópolis é que eles vem pra (para) Ferraz de Vasconcelos. Ai é que eles chegam em Ferraz de Vasconcelos.

Pergunta:

Que ano eles casaram?

Resposta:

1963, começo do ano. Janeiro de 63.

Pergunta:

(não compreendi) todo foi em São Leopoldo, por exemplo, foi quando ( ????)

Resposta:

Foi final de, meio de 62, meados de 62, não é? Que eles se deslocaram pra (para), não é bem que se deslocaram pra, porque na Faculdade de São Leopoldo mesmo depois de formado, você ficava ali fazendo um tipo de estágio e eles ainda ficaram um ano ali, meu pai ainda ficou um ano ali fazendo esse estágio. .Ai quando apareceu esta oportunidade de vir pra (para) Ferraz, eles se casaram. Vieram se casar em Petrópolis e tudo mais. É, é mais por causa mais da família por parte de pai.

Pergunta:

O senhor mencionou que seu avô ele veio já pra (para) ser pastor em Juiz de Fora.

Resposta:

É, ele veio pra (para) ser Pastor. E, nós temos na Igreja Luterana tipo um... , não é bem seminarista que nem pros padre, tem uma fase antes de ser Pastor, de se ordenar Pastor. Como lá tava pré-guerra em 35, já percebia que o negócio começava a ter problemas de, de, de talvez uma guerra ou uma... ele veio pra (para) ser ordenado Pastor no Brasil. Quer dizer,ele veio,como abriu essa vaga para ele vir a Juiz de Fora e ele abraçou isso e veio primeiro e ai quando ele percebeu que aqui dava para ficar, chamou a minha vó (avó) . E os dois, ela veio.

Pergunta:

Eles namoravam?

Resposta:

Namoravam lá.

Pergunta:

(Não identifico a fala)

Resposta:

É, é. E a origem da família é bem no meio da Alemanha. É, na Região que a gente chama de ____(runsdoque) mas é uma região pobre, da Alemanha, vamos falar assim. Era né?. Então, era uma região que não tinha muito trabalho, muito... então aqui foi uma oportunidade poder vir fazer a vida dele, ou pelo menos tentar fazer uma vida. E ai foi por isso que eles vieram. Ai, casaram em 35, meu pai nasceu em 36, a minha tia é dois anos depois no Rio de Janeiro, e dezessete anos depois uma outra tia, mas na Alemanha.

Pertunta:

Eles voltaram, então, para Alemanha?

Resposta:

Sim, voltaram.

Pergunta:

E ficaram morando lá?

Resposta:

É, é curioso, por que é assim. Cinquenta e três eles tiveram uma primeira oportunidade de depois da guerra de voltar pra (para) Alemanha pra (para) visitar os parentes. Ai voltaram ficaram seis meses lá. Foi ai que nasceu essa tia. Depois, eles voltaram para o Brasil e ainda moraram mais... moraram, quer dizer, mais cinco anos, em cinqüenta e oito eles voltaram pra (para) Alemanha pra (para) daí já começar a ver um pólo, um ponto na cidade pra (para) eles voltarem. Porque meu tio, ó! Meu avô teve câncer de pele e com o calor daqui não se curava, a pele, então ele foi, digamos assim, foi obrigado, pelas condições climáticas de voltar para a Alemanha para tratar do câncer. Ai cinqüenta e oito eles fizeram isso e em sessenta e cinco eles foram embora definitivamente. Já com uma cidade pra (para) ele poder ser Pastor lá também. Só que sempre nessas idas o meu pai nunca foi. Primeiro porque tava se formando no colegial, depois tava se formando no, na faculdade de teologia e em sessenta e cinco ele já tinha família. Então desloca família inteira pra (para) lá seria inviável. Então a gente ficou e eles foram embora. Nós só fomos rever-los depois, isso em sessenta e cinco, em setenta e dois.


Pergunta:

E ele tinha vontade de ir?

Resposta:

Eu não sei. Essa parte eu nunca fiquei sabendo. Eu acredito que não. Eu acredito que não. Eu percebi, agora, que a gente foi pra (para) a Alemanha, eu e minha esposa, por mais organizada que seja um pais, ou mais bonito que seja um pais eles também tem seus problemas. E acho que isso deixou ele muito a vontade de ficar no Brasil. O Brasil, naquela época, era bem diferente de hoje, então acho que isso que também prevaleceu para ele, até pra (para) a educação da gente tudo mais, acho que é um dos fatores que deve ter passado na cabeça deles, não sei.

Pergunta:

O senhor tinha mencionado, na outra, na outra vez, é... uma história que o... não sei se era o seu pai que só podia sair de casa... por causa da guerra

Resposta:

Ah! Os meus avós, durante o período da guerra, de quarenta até quarenta e cinco, eles fizeram, eles ficaram em prisão domiciliar. Ele não podiam sair de casa, os pais, meus avós, mas os filhos podiam para ir para escola porque eles eram brasileiros. Então eles iam para a escola tudo, mas eles não podiam sair, então o exercito dava comida , dava toda assistência mas era prisão domiciliar. Ficaram quatro anos e meio em prisão domiciliar e ...

Pergunta:

Pelo simples fato de serem alemães?

Resposta:

De serem alemães, e ele ser Pastor de uma igreja Alemã. Isso na época se achava que podia ser um ponto é,é, é, se você deixasse um alemão solto, né, poderia ser um motivo de se criar uma guerra ou um principio de sei lá, revolução dentro daquela cidade não é. Então muita gente se recolheu, então eles foram presos. A minha sogra, por exemplo, que estudou no Porto Seguro nessa época, eles não podiam estudar Alemão. Porque foi nessa época também que o Colégio Porto Seguro mudou de nome, ele era chamado de ___(deutcheschuler) e mudou para Colégio Visconde de Porto Seguro e ai mudou de nome e não podia lecionar alemão. Então, muitas vezes eles se encontravam no porão do colégio pra (para) poder conversar com os amigos em alemão e não perder a língua né. Uma coisa, um detalhe interessante só retomado isso ai depois da guerra. Ai depois que tiveram todo o trabalho de trazer professor e tudo mais.

Pergunta:

E, eu só queria saber que cidade seus avós estavam nessa época (trecho que não entendi?

Resposta:

Juiz de Fora.

Pergunta:

Juiz de Fora?

Resposta:

Juiz de Fora. Juiz de Fora.

Pergunta:

Na sua adolescência como é que era o lazer, passeios (trecho que não entendi)?

Resposta:

É, a gente tinha..., na verdade a gente tinha, eu tinha colegas de bairro, né?, e, e a gente até no colégio era colégio, não tinha pós colégio não tinha muita amizade, mas no bairro tinha uma, uma,uma,uma amizade muito grande. A gente tinha time de futebol, tinha... Ai tinha suas épocas, soltar pipa, autorama, não tinha vídeo game na época né,então fazia essas coisas. Futebol era direto tanto que a gente ficou mais voltado pras (para as) brincadeiras mais brasileiras, né? Porque as amizades eram essas, que a gente tinha na época.

Pergunta:

Na escola o senhor não tinha muita amizade?

Resposta:

Sei lá. Tanto no Porto Seguro como no outro eu não mantive... quer dizer, eu tenho as pessoas que eu conheço do colégio,mas eu não fechava muito amizades dentro do colégio. Existia uma, até um motivo, é [pausa ] classe social né, minha família não tinha dinheiro, a gente tinha tudo apertadinho, eu estudava de bolsa porque minha mãe trabalhava lá e minha tia também, é, então a gente sempre era tudo contado, e a gente sabe que_____(romas) e Posto Seguro são colégios de níveis sociais maiores então pra não ter constrangimento, tanto da minha parte como da parte deles, a gente limitava um pouquinho esse negócio de.... eu mesmo fazia isso, não gostava porque acabava deixando eu constrangido e a minha família também. Então que me segurando um pouco no bairro também acontecia a mesma coisa, as amizades que tinham , eram amizades que tinham um nível social maior até que chegou um ponto que eu não conseguia mais acompanha-los nas saídas ou nas brincadeiras, então eu acabei também saindo fora. Foi aí que eu conheci o ___(corp) foi nessa, nesse intermédio que eu conheci o ---(corp ), conheci o grupo de dança.

Pergunta:

Mais ou menos quando (não entendi)?

Resposta:

Isso foi em oitenta e seis. Eu tinha já, eu tava, eu tava no meio da faculdade de engenharia. |Ai por contingência tá econômica né, porque a gente não tinha dinheiro pra (para) sair, e, tudo contadinho, tudo mais, então eu acabei, não deixando a amizades de lado, como eu te falei, a gente sempre tem os vínculos, mas acabei indo pro outro lado onde pelo menos eu podia me divertir mas com pouca grana [risos] e assim foi que eu conheci o grupo de dança, em oitenta e seis. Ai o grupo de dança te dava essas, é, é.... vamos falar assim, você se divertia dançando e, e, e, as pessoas que tavam (estavam) naquele meio também, entendiam. Eram pessoas todas de mesma classe social, vamos falar assim, então dava pra você manter a, as diversões em nível legal [riso].

Pergunta:


Você conheceu como o ---(corp) ? Porque se você morava em Santo Amaro, tinha uma comunidade germânica alí ou não?

Resposta:

Então, mas eu não tinha contato. Eu tinha contato só pelo colégio. Pelo Porto Seguro, mas eu já não conhecia. E ai, quando me convidaram pra (para) eu ir no grupo de dança, ai que vim conhecer a associação e foi assim que eu comecei a conhecer toda essa, essa parte de sociedades germânicas, e grupos germânicos, não tinha esse contato muito não na época do colégio. Então, aqui que vim conhecer mais.

Pergunta:

E...., só um pouquinho ((não entendi)) o senhor se formou na escola e decidiu fazer engenharia.

Resposta:

Isso.

Pergunta:

Por que? Por que Engenharia?

Resposta:

É.... primeiro porque eu me dava bem com essas parte, essa parte mais exata de matérias, matemática, física... Cheguei a dar aula particular de matemática, então eu tinha esse contato maior é, e a gente participava muito de feiras, naquela época o colégio promovia no segundo e no terceiro colegial, feiras de profissões, então os pais vinham lá, explicavam o que faziam, não é? E eu acabei me simpatizando com a parte de engenharia. Fique entre arquitetura e engenharia, mas daí, por contingência, até de mercado, na época, eu optei pra (para) ser engenheiro. Então eu acabei fazendo engenharia na FEI.

Pergunta:

(não entendi)

Resposta:

É. Também com bolsa.

Pergunta:

(não entendi)

Resposta:

[risos]

Pergunta:

[ não entendi] bolsa?

Resposta:

Não foi nem bolsa, foi um acordo com o pai de um amigo meu. Um grande amigo meu até hoje. É... ele me pagou a faculdade e ...por intermédio da Nordon ele era superintendente da Nordon cervejaria e... ai ele a Nordon dava benefícios se você ajudasse alguém a, nos estudos então você, se você pagasse estudo não tinha que pagar tanto imposto e ai foi nessa que eu entrei ele me convidou, ai ele me pagou a faculdade mas eu sempre tive um acordo com ele,né que quando eu tivesse a condição eu faria a mesma coisa com alguém. E é o que eu to(estou) fazendo agora com rapazinho do grupo que eu to(estou) ajudando a pagar a faculdade. Então, a gente... é um ciclo. Assim como eu to (estou) ajudando agora, ele também vai ajudar alguém lá na frente. Não espero nada de volta. É sempre pra (para) frente então foi nesse acordo que eu fiz a faculdade. Pelo menos deu certo até agora [risos].

Pergunta:

E o seu primeiro emprego foi na Nordon também ou ...?

Resposta:

Não, não foi na Nordon não. Eu comecei, comecei numa (em uma) empresa alemã, que era a Wallita, não é. Que a Wallita era uma empresa alemã. Na parte de controle de qualidade. Ali eu fiquei pouco tempo

Pergunta:

Quantos anos?

Resposta:

Um ano e pouco. Um ano e meio.

Pergunta:

E a sua idade?

Resposta:

Naquela época, vinte e....., vinte cissssss....., seis eu acho. Nem me lembro.

Pergunta:

Já formado?

Resposta:

Já formado é.

Pergunta:

[não entendi] estuda e trabalha [não entendi}

Resposta:

Então. Enquanto eu estudava, é... eu fazia estágio que era obrigatório pra (para) você poder se formar e também dava aula particular o que me, o que me sustentava mais era a aula particular. Muitas vezes a gente deixava de [ ...] até de estudar para ir dar aula particular pra (para) poder ter o dinheiro no final do mês, mas é... foi mais ou menos por ai. Ai trabalhei esse ano e meio na Walita depois trabalhei dois anos, numa outra empresa brasileira,chamada ___(Cap) depois é que eu fui pra Nordon.


Pergunta:

[não entendi]

Resposta:

É. Fui pra Nordon primeiro sem ter vinculo com a cervejaria, mas quando eu fui falar com esse meu colega, que o , esse filho, o filho dele estudou comigo na FEI também. Quando eu fui falar que eu ia fazer uma entrevista na Nordon que eu vi anúncio. Ai eles me chamaram pra (para) trabalhar na cervejaria. Foi ai que fui trabalhar na Nordon. Na Nordon eu trabalhei seis anos. Ai depois eu fui trabalhar na firma da família, que era, eles tinham uma firma paralela, eu fui trabalhar com eles mais sete anos

Pergunta:

Família desses (não compreendi)

Resposta:

Desse meu amigo. A Nordon fazia a parte mecânica da cervejaria, os tanques, tubulações e a Aramel, que era da família,fazia a parte elétrica. Depois eles resolveram, o filho saiu, me levou junto, pra (para) fazer a parte de montagem mecânica na Aramel, na empresa, e ai a gente fazia serviços, não, não pra (para) Nordon mas para outras empresas. Ai que fui trabalhar com eles, ai trabalhei sete anos com eles. Ai, depois trabalhei mais quatro anos em empresa de instalação, e hoje eu tenho minha própria empresa. Não de instalação, mas de orçamento.

Pergunta:

Você não foi tão afetado diretamente quando a Nordon fechou?

Resposta:

Não eu sai, eu saí uns cinco anos antes, acho, dela começar a quebrar.

Pergunta:

E essa família também não? (não compreendi)

Resposta:

Saíram, é, tinham a Aramel, então a empresa Aramel já era, já era base da família não era a Nordon. A Nordon era só um, digamos, que foi um gancho pra (para) Aramel para trabalhar mas depois como a Nordon fechou a Aramel conseguiu caminhar com pernas próprias. Então não era tão problemático assim. Muita gente na Nordon... A Nordon foi uma mãe pra muita gente é muitas empresas foram abertas satélites por causa da Nordon entendeu? Ela sustentava muita empresa satélites. Com serviços dela, depois quando ela quebrou algumas se mantiveram outras não.


Pergunta:

Você chegou a ter algum vínculo com o sindicato dos metalúrgicos?

Resposta:

Não, não, não. Eu saí bem antes e a Aramel, também, depois era do sindicato da construção civil, então não era o mesmo então eu não tive esse problema. (risos).

Pergunta:

E como é que foi a sua, como você conheceu sua esposa?

Resposta:

Nossa minha esposa! Minha esposa, eu conheci numa festa da USP. E, conversa vai, conversa vem ela... a gente conversando ali, é, sem querer eu conheci a irmã dela, porque eu fiz estágio na Mercedes, e a irmã dela trabalhava na Mercedes então conversando com ela chegamos a conclusão: Puxa conheci sua irmã! E conversando mais um pouco fiquei sabendo que meu pai tinha batizado os três irmãos mais velhos dela. E ai, monte de coincidências a gente acabou começando a namorar (risos) . Ai tamo (estamos) hoje, tamo (estamos) já, há, ha vinte e seis anos juntos.

Pergunta:

Casou ...(não dá para entender)

Resposta:

É, nos casamos, fizemos vinte e um anos de casados mais quatro de namoro. Já é bastante tempo. E ela também tem descendência alemã só que por parte de avós também e eles vem de uma região de ___(LAIPSEQ) que é , pertencia a Alemanha Oriental, na época da guerra e ela vem dessa, dessa re, dessa cidade de lá né, quer dizer a família vem de lá. Ela sim fala alemão freqüente. É, no co, em casa eles mantiveram a língua alemã como língua materna, como a língua de, de, de conversação dia a dia, é, e ela tem até o ultimo estágio do... o meu Deus do céu..., do instituto ....

Pergunta:

___( Dante)

Resposta:

___(Doiter) isso! Obrigado! Ela tem até o último diploma. É ela merece o esforço dela.

Pergunta:

E ai, ela estudava na USP? Trabalhava lá?

Resposta:

Então ela estudou no Porto Seguro até a oitava série, depois ela saiu e foi fazer colégio normal no Estela Maris. É..,ela sempre queria ser professora então ela começou a fazer o curso Normal. Fez o curso Normal, começou a trabalhar no Porto Seguro. Só que quando ela começou a trabalhar no Porto Seguro ela conseguiu entrar na USP,em pedagogia,ai um ano ela parou para fazer o primeiro ano de pedagogia, que era diurno né?, Então ela não conseguia trabalhar. No segundo ano ela conseguiu voltar pro (para o) Porto Seguro em 87 e começou a trabalhar lá no Porto seguro e estudar a noite Pedagogia. Então, ela é Pedagoga formada agora, com último estágio em alemão e ela dá aula, sempre deu aula pro currículo alemão, no colégio Porto Seguro. Então ela sempre, tanto aula de alemão que ela deu uma boa época como hoje ela dá aula de polivalência, que é matemática, português, história geografia e ciências pros a ale, que tem língua materna alemã do currículo alemão.

Pergunta:

Os menorzinhos?

Resposta:

Os menorzinhos, até quarto e quinto ano né, mas ela deu aula, por exemplo, não é pré, mudou nomeclatura toda agora né?

Primeiro ano é, você tem o maternal que parece que é o primeiro, depois tem o primeiro ano que...

Pergunta:

É o ensino fundamental?

Resposta:

É isso, mudou um pouco então esse primeiro ano ela deu quase oito anos de aula em alemão. Pros pequenininhos, pros bem, era divertido mas ela mantém a língua. Muito interessante a gente foi pra Alemanha agora em julho, e,e, é engraçado quando a gente falava assim, que ela falava assim é mas eu sou do Brasil. Ai o cara olhava pra (para) ela assim, mas falando esse alemão? Não pode ser! Você tem certeza que se (você) é brasileira? Eu falei, tinha que mostrar passaporte as vezes pro cara acreditar. Tem gente que não acredita. É interessante isso é?

Pergunta:

O senhor tem uma noção que o que caracteriza a, é, o sotaque de uma pessoa se é brasileira, se é mais arrastado, se é..?

Resposta:

Olha, eu acho que é difícil. Eu vou te falar assim, eu tenho, tive professores de alemães, de alemão que ela falava, ela era nordestina,então ela falava o alemão com sotaque nordestino, eu acho que aqui, vamos falar assim, São Paulo, Rio grande do Sul, é difícil você aprender alemão e puxar pra algum sotaque ou ter alguma coisa que você traga junto. Eu não consigo ver isso, nas pessoas que falam alemão, aqui no sul e são brasileiros. O que eu vejo são, é a pessoa falar um alemão que nem eu falo. Eu falo que é um alemão macarrônico, não tem as concordâncias certas, mas você se fazer entender, então isso é possível. O Gunther, por exemplo, ele tem os pais alemães, mas ele não fala um alemão super correto. Então, isso é que eu acho que caracteriza mais que o sotaque, não sei se eu me fiz entender ?

Pergunta:

Sim, sim, sim.

Resposta:

Acho que isso acaba sendo, e que nem o cara que aprende inglês. Você percebe o brasileiro que aprendeu inglês. Mas você também percebe que aquele aprendeu, ou que em casa fala inglês desde criança ele não vai ter o mesmo problema, o mesmo sotaque vamos falar assim, você percebe essa diferença. Não sei se, eu pelo menos sinto isso quando eu vejo as pessoas falando. Em compensação tem o, tem um rapaz no grupo de dança, o Oliver, que ele é brasileiro, o pai dele é o presidente, foi presidente aqui, e, e o pai é alemão e a mãe é de Santa Catarina. E ele fala um alemão horrível, mas o português é com sotaque de alemão sabe aquele sotaque de alemão não carregado mas, se (você) percebe que é um alemão, porque trás isso de casa, do pai da mãe falando em alemão e ele tentando falar o português e, é aquela coisa arrastada. É interessante isso ai!.

Pergunta:

E, voltando um pouquinho, na época do namoro de vocês, quais passeios vocês iam? Cinema, teatro, parques...

Resposta:

Olha é tudo em função, como ela me conheceu no grupo de dança, que eu já era coordenador do grupo muita coisa era em função do grupo. Então, apresentações do grupo de dança a gente nos teatros. Naquela época a gente assistia mais em show. Assisti show de banda de rock ou de... até mesmo musicais e tudo mais. A gente fazia mais esse tipo de programa. Mas sempre tudo foi em torno do grupo.

Pergunta:

Ela dança?

Resposta:

Sim. Dança então tudo ficou em torno do grupo de dança. Então fomos na apresentação, voltava pra jantar. Mas era mais, saídas, assim, com os amigos do grupo de dança era nossa, foi nosso grande carro chefe. Hoje por exemplo a gente vai muito em teatro. Mais musical que a gente adora a gente gosta e vai ver. Mais era mais ou menos essa... A tônica sempre em função do grupo.

Pergunta:

Ela passou a fazer parte do grupo quando conheceu você?

Resposta:

É, é é. Não, não. Ela ficou um ano ainda enrolando pra (para) entrar no grupo de dança ela veio participar por que um rapaz, o antigo coordenador de dança ele forçou a barra pra cima dela pra vir dançar e ela acabou pegando. Quer dizer, começou a dançar. É, ela foi tomando gosto também. Hoje ela coordena o grupo de crianças do Porto Seguro e daqui do ___(corp) também, duas ou três crianças que tem aqui também que ajudam, então ela acaba coordenando isso comigo. E ela coordena, no grupo adulto, toda a parte de traje. Ela que toma conta disso se o traje tá (está) certo, tá (está) errado. Que (o que) precisa arrumar ela que toma conta disso. A gente se tornou mais ou menos um pesquisador disso, de folclore então a gente acabou se especializando nisso.

Pergunta:

Desculpa eu perguntar. Como vocês se baseiam pra (para) montar as coreografias como você ( não compreendi) ?

Resposta:

O alemão, como, como todo o bem certinho alemão, não existe nada, pra (para) eles que seja inventado. Quer dizer, existe. Mas eles consideram dança folclórica, uma dança que esteja registrada e que tenha pelo menos dez anos ou uma geração que aquela dança foi feita. Isso pra eles começa a se tornar dança folclórica. Então tem a ver um pouco com história, mas também tem a ver um pouco com perpetuação quer dizer a gente só consegue caracterizar uma dança folclórica uma vez que ta registrada e tem uma geração que passou. Então tem muita dança, que nem danças ligadas a profissão por exemplo. Profissão do teatro, profissão...é, fazedor de vinho, do amassar vinho, de amassar uva, do tear, da maquina de tear que passa e faz, então tem um monte de, de, de , situações da primavera, dança do cuco ,tem a dança do... da... Nossa! tem tanta que a gente até se perde! Um monte de dança! Mas todas elas tem registro, a gente chama de ____(taschebraner) que é descrição de dança. E lá está escrito, dentro da música como é que cê (você) tem que executar os passo; então essa é o primeiro registro que você tem das danças.É, cê (você) começa, então não tem nada que seja, vamos falar assim, seja inventado, existe uma coisa interpretada, e ai em cima da interpretação você faz as danças folclórica.

Pergunta:

E você consegue me dizer, onde você pesquisa esses registros, qual que é o mais antigo...

Resposta: Olha, eu vou te falar, vou te falar aonde eu tive o contato maior. Meu contato maior é com as instituições cultural Gramado, que é lá em Gramado, no Rio Grande do Sul que é uma associação vinculada a 25 de julho, que é a data da imigração alemã, lá eles criaram a associação cultural para justamente se manter a língua, se manter tudo isso, e lá se criou em 83, vamos falar assim, um pequeno departamento de danças folclóricas alemãs. Que era um senhor que fazia essa, começou a coletar essas informações e lá eu tive essa primeira informação de como vinha como é que era essa coisa. Na verdade, isso na Alemanha, é registrado em centros culturais deles, que eles chamam de ___(denefalk) seriam, tipo, um departamento de dança desse___(denefalk) DGV e lá eles fazem todo uma, um registro dessas danças. Então tem os pesquisadores que nem vocês, que vão visitar uma região da Alemanha e vão ver, puxa, está acontecendo esta dança, está registrada, não tá (está), então eles vão fazer esse trabalho e ai, se faz esse registro. Então, eu tive esse contato, dessas descrições mais em Gramado. E pelo antigo coordenador que nós tínhamos. Mas o antigo coordenador que nós tínhamos era um “inventador”, então eu tive que mudar um pouco a filosofia do grupo de dança, por isso que eu fiquei em contato lá. Tendo contato lá, a gente não participou por muito tempo mas, de 2001 pra (para) cá, eu tenho participado de todos os cursos tem tido na casa em matéria de dança .Vem professores da Alemanha e vem ensinar dança e até como interpretar melhor as descrições. E com, em Gramado essa associação cultura, departamento se filiou à Alemanha nesse ___(denefalk), Que só tem na Alemanha, na Rússia e agora no Brasil. Mas Brasil se filiou lá , não foi por dinheiro não foi por nada, foi por troca das danças que Gramado tem registradas em vídeo. Só no Brasil nós temos mais de oitocentas danças registradas em vídeo.

Pergunta:

(não entendi)

Resposta:

É. Esse material foi trocado com a Alemanha e ai se fez o registro de Gramado como ___(denefalk) outro centro de dança folclórica Alemã. Interessante ne?

Pergunta:

Bastante.

Resposta:

Mas, também tem tudo a ver com os grupos de dança. Só no Brasil nós somos mais de quatrocentos. Só no Sul, são trezentos ou mais de 300. Blumenau são 25.

Pergunta:

Como que são registrados esses centros de Blumenau?

Resposta:

Cada. De gramado o que que ele fez, ele abriu cada região ou micro-região e essas micro-regiões cadastram o grupo e se passam pra ela, então, existe uma Gramado maior, o Centro as micro-regiões e o pessoal filiado nessas micro-regiões. É uma coisa bem interessante. Tem grupo na Argentina que é filiado no Brasil. Chileno! Tem grupo chileno que está querendo se filiar. É muito interessante!

Pergunta:

Como faz com as roupas? As roupas tem características próprias?

Resposta:

Sim, ai depende de cada de cada grupo de cada região. Nós, aqui em São Paulo nosso grupo a gente acabou decidindo em usar uma calça de couro uma calça que todo mundo conhece por causa da propaganda que o americano fez em relação ao alemão. Quando você fala em alemão e vem do pós-guerra, qual que a figura que vem? O carinha da boina verde a calça de couro com suspensório, então essa a característica dos alemães aqui em são Paulo então a gente optou por essa linha. Já no Sul, depende muito do fundador da cidade então, por exemplo, Blumenau, vamos falar de Blumenau, Blumenau o fundador veio de uma região específica da Alemanha, então muitos grupos lá fizeram traje característico daquela região. E, só que lá existe um outro coisa favorável pra eles, a prefeitura muitas vezes, ajuda o grupo de dança financia o grupo de dança em matéria de traje, então tem dois costureiros no sul que só fazem isso. Eles só fazem trajes folclóricos pros grupo de dança. O cara se especializou nisso. E ai sim ele também faz toda uma pesquisa, de traje, ser o mais próximo possível que nem da Alemanha. Então acaba sendo um trabalho de pesquisa dele, do costureiro, e do grupo de dança é uma coisa.... Aqui no ---(corp) por exemplo, tem o grupo ---(janiblu), não sei se o Gunther comentou com vocês ontem, que era um grupo que foi criado para a terceira idade. Aqui dentro acabou não vingando, mas o traje desse grupo foi feita uma pesquisa. Até nós não fizemos uma pesquisa por causa de fundador essas coisas, a gente fez buscando uma história pro traje, e ai nós fomos buscar na ilha de ___(rugam), que é no norte da Alemanha, uma ilha que era de agricultura depois virou uma ilha de pescadores. E o traje que a gente fez é um traje que não tem nada a ver com a calça de couro mas, que tem a ver tudo com essa ilha, então foi um trabalho de pesquisa que a gente desenvolveu, pra (para) chegar no traje.

Pergunta:

Quem faz essa pesquisa? Só você, o coordenador? O Grupo?

Resposta:

Não , o grupo inteiro,na verdade, ou aqueles que estão interessados dentro do grupo. Como... dentro do grupo eu não tenho todos que falam alemão ou que seja de descendência alemã, então também não posso exigir deles que eles sejam alemães, né. Então, aqueles que tem uma noção do alemão, ou que gostam dessa parte, ajudam a pesquisar então, a gente junta as informações e aí a gente fez os trajes dessa forma. É... os sapatos do grupo de dança nosso né... da calça de couro, a gente pesquisou um rapaz pra fazer igual, pelo menos próximo, então foi tudo uma pesquisa. Hoje ta compensando financeiramente mais fazer em alemão, nossas calças de couro, meia e camisa são todos de lá. Financeiramente é mais barato.

Pergunta;

Como você vê a posição aqui de São Paulo,no governo, existe alguma iniciativa ------- de idioma de influência...?

Resposta:

Alemã? Ou Geral?

Pergunta:

Pode ser dos alemães (risos)

Resposta:

 


Acervo Hipermídia de Memórias do ABC - Universidade de São Caetano do Sul