Pesquisa


Projetos Mais Acessados

  1. Comunicação e cultura na Johannes Keller Schule em São Caetano do Sul
  2. A Segunda Guerra Mundial no ABC e a trajetória de seus combatentes
  3. Ativismo feminista e questão racial
  4. Culturas e linguagem: metáforas em identidades, ritos e cerimônias nas
  5. Associações alemãs em São Paulo
  6. Punks do ABC: bandas, gangues e idéias de um movimento cultural...1980
  7. Comunicação, Identidade e Memória na Comunidade Germânica no ABC
  8. Risos e lágrimas:o teatro amador em Santo André na década de 1960
  9. A alma feminina nos palcos do ABC: o papel das atrizes (1965 a 1985)
  10. O Grupo Teatro da Cidade: experiência profissional nos palcos do ABC..

Todos os Temas
Todos os Projetos

Inajá Bevilaqua

Não tem ficha de contato. Imagem do Depoente
Nome:Inajá Bevilaqua
Nascimento:18/10/1942
Gênero:Feminino
Profissão:???
Nacionalidade:Brasil
Naturalidade:Santo André (SP)

TRANSCRIÇÃO DO DEPOIMENTO DE INAJÁ BEVILAQUA EM 04/07/2005

Depoimento de INAJÁ BEVILÁQUA, 63 anos. 

IMES – Universidade Municipal de São Caetano do Sul, 04 de julho de 2005.

Entrevistadores: Elias Estevão Goulart, Eduardo Chaves e Tiago Magnani.

 

 

Pergunta: 

Comece falando a data e o local de seu nascimento e descreva um pouco a sua infância aqui na região.

 

Resposta:

Eu nasci em Santo André, onde hoje é o Paço Municipal. Ali era a chácara do Bastos de um lado e do outro lado era a casa dos meus avós, onde meu pai viveu desde criança e eu nasci naquela casa. A casa foi demolida para a construção do Paço Municipal, onde é hoje aquela rampa que sobe para o Teatro Municipal. Depois mudei para ali perto, na Rua Dona Carlota. A Vila Bastos era muito agradável, eram casas grandes, com muito quintal. Eu tive uma infância muito saudável, porque a gente vivia brincando um na casa do outro, na rua, na chácara, onde tinha muita fruta e a gente entrava para roubar frutas, e era cachorro correndo atrás da gente. As nossas casas tinham muita fruta, cada casa tinha uma fruta diferente e tinha um riozinho, um córrego que hoje é canalizado, que passa naquela Avenida Amazonas. Era um riachinho onde a gente ia caçar rãs à noite, com os irmãos mais velhos das minhas amigas e com os amigos, com um preguinho espetado na ripinha. Era um barato. A gente brincava muito na rua, os pais ficavam na calçada, era aquela coisa bem de cidade do interior mesmo, principalmente no verão, quando escurecia mais tarde. Já tinha o horário de verão naquela época. Desde 1940 que tem horário de verão. E a gente ficava brincando, eles conversando e a gente brincando de bola, de amarelinha, na época da primavera correndo atrás de siriri. Tenho essas coisas muito frescas na minha cabeça porque era uma época muito boa. As brincadeiras eram assim, vamos dar a volta no quarteirão sem pisar no chão, então valia por cima do muro ou pelos telhados, ou em cima de árvores. A gente vivia machucada, e as meninas brincavam com os meninos. Eu não tinha muitas meninas da minha idade e eu era filha única e muito mimada na família, porque sou de uma família de italianos muito unidos, e fui a primeira neta, primeira sobrinha, então eu ganhava muitos presentes, bonecas e tudo e as meninas mais velhas é que brincavam com meus brinquedos e com a minha idade só tinha meninos, então, eu brincava muito com os meninos. Tenho uma cicatriz grande de dar paulada em Judas, que levei uma vez. Tive um afundamento. Era aquela coisa: as vizinhas, as moças, naquela época era uma irresponsabilidade muito grande, porque a gente soltava balão na época de São João. Às vezes trezentos balões em um dia eram montados. Depois, quando começou a indústria petroquímica é que começou essa consciência dessa coisa perigosa, mas a gente não tinha a mínima noção. Aliás, essa coisa de consciência ecológica é uma coisa recente, porque a gente não tinha nem idéia. Os vizinhos faziam aqueles balões enormes, que tinha de subir na árvore para segurar. Depois eu estudei no início do Colégio Santo André, porque o diretor era amigo de infância da minha mãe, que era o dono do colégio. Depois, junto com o professor Elizeu Fedre, dono do Hospital Santo André, eu fiz todo o meu curso, da primeira à oitava série, que era o curso primário e ginasial, eu fiz todo no Colégio Santo André.

 

Pergunta: 

Como era a educação nessa época?

 

Resposta: 

Era educação, acho que era uma coisa bem quadradona, mas não acho que era ruim não, porque estudava muito mais coisas antigamente do que se estuda hoje, porque a gente tinha latim da primeira a quarta séries do ginásio, francês da primeira a quarta séries do ginásio, inglês começava na segunda e ia até a quarta série do ginásio. A gente tinha todos os dias aulas de português e de matemática. Eu lembro que os professores de ciências..., e tinha um professor maravilhoso, que a gente botânica, zoologia, física, química. Cada ano era uma coisa e ele levava a gente para ver museus, ir a Reserva Florestal do Estado para fazer análise de plantas. A gente aprendia muita coisa e hoje sei muita coisa que falo, e meus filhos dão risada, perguntam onde aprendi isso, mas aprendi isso na escola. As coisas de português, esses nomes todos, mesóclise, ênclise, que ninguém mais sabe, eu sei tudo isso. Eu acho que o ensino era muito bom, porque antigamente a gente não tinha cursinho aqui, nem nada, e nós saíamos do Colégio Américo Brasiliense ou do científico e todo mundo entrava na Medicina, no Direito, da USP, sem fazer cursinho. Nós não tínhamos faculdade aqui e em Santo André só havia o Colégio Américo Brasiliense onde havia colegial e clássico. Demorou a ter em outros, depois teve em Utinga, mas demorou muito. Então, era o recurso nosso, um recurso doméstico. 

 

Pergunta: 

Nesse período, indo para a faculdade, a senhora um pouco mais velha, como era a forma de lazer dos jovens nesse período?

 

Resposta: 

Antes de ir para a faculdade a gente ia muito a bailes. Tinha o Moinho São Jorge, e na época de formatura tinha baile de segunda a segunda. A gente ia a todos os bailes. O lazer era muito bailinho, em casa, no clube, no Clube Xadrez, Ocara ou Panelinha, aqueles bailinhos de domingo de anjinhos, bem inocentes mesmo. Nós éramos todas Branca de Neve, que hoje chamam de patricinhas. A gente não era patricinha porque não tinha tanta coisa de consumo. Não tinha essa coisa de consumismo, de marca de roupa. A gente fazia aquelas roupas da moda. Era uma moda caretona. Lembro que com 17 anos a gente andava de tailleur e salto alto, de meia, sapato igual bolsa, luva, aquele cabelo estruturado. Não era uma coisa muito jovial, como hoje. A gente já se vestia de velhas. Nós éramos todos de famílias italianas, uma coisa muito moralista, as famílias todas, era uma repressão muito grande. Eu comecei a freqüentar cinema em São Paulo na época que comecei a fazer faculdade. Fui fazer faculdade em São Paulo. Enquanto estava em Santo André a gente ia ao cinema, porque era programa ir ao cinema com a turma. Tinha dois cinemas, só passavam filmes comerciais, bobagens e a gente não tinha uma cultura mais de elite.

 

Pergunta: 

Quais cinemas tinham na região?

 

Resposta: 

Aqui lembro do cinema de São Caetano, não lembro o nome. Em Santo André tinha o Cine Tangará que era enorme; o Cine Tamoio que era para mais de duas mil pessoas; o Cine Carlos Gomes, que era o cinema mais antigo que hoje reformaram, mas nem sei por que, por essas coisas de preservação do que tem, até vou fazer um aparte, porque o Cine Carlos Gomes é uma coisa que tenho uma irritação enorme. Tanto o Cine Carlos Gomes como a Estação de Santo André. Nessa época eu trabalhava na Secretaria da Cultura e o Cine Carlos Gomes estava intacto ainda. Ele já havia tido uma reforma no final dos anos 50, porque teve o Cine Tangará que era todo moderno, então aquela coisa de caipira, de província, decidiram que tinham de reformar o Carlos Gomes. Eles retiraram a fachada antiga e fizeram um puxado. Mas mesmo assim ele estava todo preservado, era um espaço ótimo, tinha aquele balcão, e ele pertencia à família do Ângelo Gabrilli e na época, no Governo do Dr. Brandão, o Secretário de Cultura era o Dr. Durval Daniel e eu era assessora de cultura e o Nilson Stanziani era do Museu, nós fizemos de tudo para a Prefeitura comprar o cinema. O Nilson tem até as fotos internas no museu. Tinha de reformar a parte elétrica toda, mas estava muito bem conservado. E como o Ângelo não estava interessado em especulação imobiliária, a Prefeitura poderia até, isso nós propusemos, mas não houve uma vontade política direta para querer resolver esse assunto, a Prefeitura poderia até trocar por outros terrenos da Prefeitura, e a gente teria um espaço belíssimo no centro. Quando o Celso Daniel resolveu desapropriar, aquilo já tinha sido demolido, já tinha acabado tudo, já tinha se transformado em estacionamento, já tinha virado loja de tecido, virado tudo. Não sobrou mais nada. Sobrou aquele teto de trelissa e aquele medalhão, que mal se enxerga. Então, essa desapropriação e essa reforma ficou uma coisa tão descaracterizada que nem sei por que foi feita. Foi uma coisa mais do Celso, porque o Celso era um menino que acompanhava toda a nossa programação, vinha a todos os tipos de filmes, nas exposições, ele freqüentava muito e tinha muito gosto pela parte cultural da cidade e acho que foi uma coisa mais da vaidade dele mesmo. Nós tínhamos o Teatro Municipal com 429 lugares, então não é para grandes espetáculos. Dá para fazer só teatro mesmo. Grandes shows, espetáculos de dança, coisas com muita gente, o Cine Carlos Gomes seria uma alternativa, como antes também nós tínhamos cogitado do Cine Tamoio, mas ele já estava muito comprometido, porque era uma coisa muito grande também. Mas acabou virando igreja e o Cine Carlos Gomes nós perdemos mesmo. Tinha o Cine Santo André, que era na Alfredo Fláquer, que era menor e que era um cinema que tinha uma característica muito engraçada, porque na quarta-feira tinha a sessão das moças, quando as moças não pagavam. A sessão era mais cedo. E passava um filme por dia. Lembro que não tinha televisão na época. As minhas tias, meus tios, meus pais, todo mundo tinha amor ao cinema. Eles faziam o circuito, iam um dia a cada um. Iam muito ao cinema. Tinha na Vila Alpina, o Cine Arte que depois foi transformado, nos anos 70, lembro que morava em Santo André, que era um cinema de arte. Mas não vingou porque era só aquela meia dúzia que gostavam.

 

Pergunta: 

Em relação a programas de rádio e televisão, como eram?

 

Resposta: 

De televisão não lembro. Lembro dos programas da Rádio Clube de Santo André, que tinha programas ativos. A gente era amigas do José Roberto Siqueira, que tinha um programa que a juventude toda ouvia. O José Roberto era amigo de todo mundo, então todo mundo telefonava, ele falava sobre todas as coisas, tocava música, dava discos de presente para a gente. Lembro desse programa de rádio. Quando eu era criança eu lembro muito de programas de rádio porque a minha mãe ouvia novela das nove horas da manhã às nove horas da noite. E tinha, na hora do almoço, porque meu pai vinha almoçar em casa, na Rádio Gazeta, um programa de música clássica que meu pai escutava. À noite, aos sábados, na Rádio São Paulo, tinha uma coisa que se chamava Cinema em Casa, que eram os filmes que eles transformavam para radionovela. Lembro que a gente ia para o quarto, só com a luzinha do rádio lá, e ficava escutando. A Rádio São Paulo tinha novela o dia inteiro, uma atrás da outra. O rádio era muito presente na vida da gente. E quando começou a televisão, ela não tinha essa força do rádio. Era muito pouca gente que tinha televisão, com poucos programas e os horários também, porque a televisão começava a funcionar cinco horas da tarde. Quando a Record começou a funcionar durante o dia era muito engraçado aquele negócio de garoto propaganda, porque era tudo ao vivo e era muito engraçado. Aquelas garotas todas chiques, que eram as nossas modelos de hoje. Eram moças muito bonitas, bem arrumadas, que se vestiam com os grandes costureiros de São Paulo. A programação era pequena.

 

Pergunta: 

Tinha desenhos?

 

Resposta: 

Lembro que tinha o Sítio do Pica-Pau Amarelo. Tinha programa infantil, todo domingo, com o Júlio Gouveia e Tatiana Belinque. Eles faziam adaptações de Tom Sawyer, e era tudo ao vivo. Isso eu lembro bem, quando tinha uns 12 anos. No mais, quando terminei, quando virei gente, quando terminei o ginásio com 16 anos, eu comecei a fazer o curso normal e era à noite. Meu pai tinha ido viajar para a França a trabalho e minha mãe me fez sair da escola, porque não tinha quem fosse me buscar. Eu saí da escola. Naquele ano fui estudar datilografia, fazer costura, aquelas coisas todas. Quando foi no outro ano, eu não tinha gostado nada do curso normal e fui fazer o curso técnico de contabilidade, à noite, na Senador Fláquer. Aí foi uma coisa muito importante, muito mais do que o curso em si, porque eu não sou contadora e o curso, na parte de formação cultural da gente também não era, não acrescentava muito, a não ser para quem fosse trabalhar com contabilidade. A gente achava muito fraco na época, mas hoje tenho colegas meus que dão aula lá e dizem que naquela época era PhD perto do que é a faculdade. Mas eu saí daquela coisa burguesinha, muito boba, de panelinha, e fui estudar de noite, com gente muito mais velha do que eu; e meu mundo cresceu. Era gente que trabalhava de dia, que batalhava a sua vida e que pagava o seu estudo e que tinha uma outra conversa. Eu tive um professor, Etevaldo Siqueira, que escreve sobre ciência e tecnologia no Estadão, ele que fez a nossa iniciação política. Eu fui tomar conhecimento que o mundo era maior que o meu mundinho nesse curso noturno, com esses amigos maravilhosos. Todo mundo trabalhava e eu era uma boba. Achava que eu era a tal e não era nada, não sabia nada sobre essa vida. Minha família era muito quadradinha e foi aí que foi se expandindo a cabeça, que resolvi que ia fazer faculdade, porque senão, estaria como minhas amigas aí, teria casado e ficaria nessa vidinha bobinha.

 

Pergunta: 

E apesar da sua família, como foi iniciar no teatro?

 

Resposta: 

Foi uma coisa horrível. Eu tinha um grupinho de teatro na escola, mas era muito pouco. Eu tinha uns amigos protestantes que faziam teatro na Igreja Protestante, teatro infantil. Eu era amiga dos meninos e uma mãe deles dava aula de declamação. Eu sempre gostei muito de aparecer, e era uma coisa da minha casa, porque eu era muito vedete dentro da família, meu pai me ensinou a ler com quatro anos de idade, me exibia para todo mundo, fui estudar piano, tinha de dançar e tocar piano para as visitas, aqueles micos que as crianças pagam. Eu fazia teatro na igreja e quando já estava no ginásio aqui na Igreja Santo Antônio, da Vila Alpina, uns amigos meus que faziam teatro me chamaram e fui fazer. Depois fui fazer teatro lá no Panelinha. Depois fui fazer teatro no Primeiro de Maio. Era uma coisa muito amadora. Minha família não gostava muito e eles não iam nem ver. Meu pai e minha mãe faziam o professor ficar lá implorando para que eu fizesse, porque tudo era pecado, nada prestava, ninguém prestava, só eles, só a família prestava e quem não era da família não prestava. Eu fiz muito teatro, como atriz. De teatro amador participei de diversos grupos. Mas nisso eu já era casada. Quando nós montamos o teatro profissional, que era o GTC, eu também já era casada. Fiz teatro depois, lembro que fiz Vereda da Salvação, e minha mãe foi assistir e tinha umas cenas onde eu dava uns amassos e a minha mãe ficou envergonhada, pediu para eu não fazer mais aquilo porque estava envergonhando a família. Falei que meu marido e meus filhos não estavam nem ligando. Eu já tinha marido e filhos. Sempre foi essa coisa, tudo muito preconceituoso. Pegar na mão do namorado, não sair sozinha com o namorado. Mas acho que, mesmo quando entrei na faculdade, isso não era só comigo. Era uma coisa padronizada entre as famílias. Quando eu fui fazer cursinho, porque eu tinha um curso muito fraco, porque todo mundo fazia o clássico ou o científico e eu fiz curso técnico de contabilidade e eu resolvi fazer direito e fui fazer cursinho, meu pai foi junto comigo me matricular no cursinho para ver que condução eu tinha de tomar. Chegamos lá e a secretária estava colocando os dados, e ele não queria deixar eu me matricular. Eu fiz um berreiro. Tudo porque as pessoas estavam fumando. Eu fumava escondido. Tudo que é escondido pode.

 

Pergunta: 

Como era conciliar essa vida de casada, faculdade, teatro?

 

Resposta: 

Era normal. Sobra tempo para tudo. Todas as reuniões do teatro eram na minha casa e todos os grupos de teatro, tudo que acontecia, ia tudo acontecer na minha casa.

 

Pergunta: 

Era em Santo André?

 

Resposta: 

Sim. Ali nasceu o GTC, nasceram muitos grupos de teatro amador, um grupo em que a Hayde e o Portela participavam, o TEAR. Tudo saiu lá de casa, porque meu marido era o mentor intelectual de todo mundo. Ele fazia crítica de teatro e era a pessoa que entendia mais para entrar em contato com a Prefeitura, ele era uma pessoa respeitada. Era tudo lá em casa. Eu trabalhava durante o dia, levava filho para a escola. Parece coisa de ficção científica quando a gente lembra hoje, mas era ótimo, era tudo com muito prazer. A gente se sentia um pouco responsável pelas coisas, com obrigação de fazer alguma coisa, pela formação política da gente, que era de esquerda na época, todos universitários, da gente querer fugir um pouco, nessa coisa do GTC, da gente querer fugir um pouco dessa cultura meio elitista, meio imposta, que os Poderes Públicos sempre têm, de mandar você fazer tal coisa, que você não sabe a quem interessa. Eu tive uma discussão muito grande sobre isso, porque fiquei nove anos na Prefeitura de Santo André, na Secretaria de Cultura, e era sempre para a gente buscar essa coisa de aproximação, essa coisa dentro da cultura, dentro da sociologia, sem demagogia. Mas para quem a gente está fazendo isso, você conhece o seu público? O GTC deu essa chance para a gente conhecer o público. Nós fazíamos um teatro onde todos eles tinham material, que era uma coisa localizada no tempo e no espaço, a arte dentro do seu momento histórico. A gente discutia a mulher. Sempre se discutia o ponto e depois os alunos tinham trabalhos a fazer, debates. Era um trabalho e nosso sonho era que isso fosse servir para alguma coisa, para formar um público. Acho que numa porcentagem nós conseguimos, porque nós tivemos respostas até vinte anos depois, professores que eram alunos na época do GTC e falam que a primeira vez que foram ao teatro ficavam sonhando, esperando todo ano quando vocês iam fazer algo, porque era a única coisa boa que a gente fazia pelas escolas públicas, e o ingresso era um real. Tinha um professor do Singular, o Estácio, que na época em que o Zé tinha o material do GTC, ele foi lá em casa porque ele queria fazer uma pesquisa sobre o teatro em Santo André e ele falou que ele era formado pelo teatro de Santo André. Ele fazia teatro com os alunos, participava dos festivais de teatro amador. O teatro amador de Santo André era muito forte e muito bom, com um nível muito bom. E São Caetano tinha o grupo do Milton Andrade, que tinha até uma sede, e eles tinham um teatrinho de arena e eram muito bons, faziam coisas ótimas. Isso antes da Fundação, antes do GTC. E a Federação de Teatro Amador, a Confederação. Era uma coisa em nível nacional, que a gente ia ganhando as coisas. Santo André, São Caetano e São Bernardo estavam sempre nas nacionais e no Brasil. Chegamos a ir para Fortaleza, numa mostra nacional de teatro amador. E já chamavam diretores profissionais, porque as pessoas queriam aprender. Teatro é uma grande escola, um grande aprendizado, uma coisa muito saudável. O teatro abre os horizontes. É um trabalho coletivo e ninguém consegue fazer teatro sozinho, mesmo que você faça um monólogo. É uma coisa que abre muitos horizontes. Fiz muitos cursos de teatro com as pessoas, com a Carminha, com Eugênio Kusnet, curso de corpo na Fundação, cursos de música. A gente tinha uma educação muito eclética e, com a vontade de fazer, a gente se aprofundava nas coisas. Sempre trabalhei na área de cultura, trabalhei com pessoas como o Dr. Muller, que foi Secretário de Cultura de Santo André, que era uma pessoa muito responsável e me ensinou a responsabilidade de você ser um servidor público, da responsabilidade que você tem de fazer um bom trabalho. Então, esse monte de cursos, sempre trabalhei na área de cultura, minha formação é direito, mas eu advoguei muito pouco, por total falta de talento e de vocação e sempre fiquei nessa área de cultura, dei muita aula, trabalhei como marchand. Mexi em todas as áreas.

 

Pergunta: 

Como o GTC começou?

 

Resposta: 

Começou em 1968. Antes do GTC a gente tinha o Teatro de Alumínio, onde se fazia teatro amador e diversos atores do Teatro de Alumínio, que ganham o Prêmio Governador do Estado, foram fazer a EAD. E lá na EAD eles tiveram uma professora, Heleni Guariba, que tinha voltado de uma experiência com Flanchon, em Lyon, e como ela sabia que eles eram do ABC, ela começou a freqüentar... Era uma junção de eventos favoráveis. Esse grupo de atores que se formou na EAD, a Heleni que tinha essa experiência, o fato de o ABC ser de cidades operárias e outra coisa, a gente já ter batido à porta da Prefeitura e ter o Dr. Muller de Paiva, a Dra. Nair Lacerda, o Prefeito Zampol, e pessoas que tiveram uma vontade política, porque se qualquer um desses fatores não tivesse existido, isso não teria acontecido. É que juntou tudo. O Dr. Muller acreditou, comprou a idéia, arrumou verba. A gente tinha de entregar o Teatro de Alumínio, então nós praticamente derrubamos o teatro para fazer o cenário do Flávio Império. Ele fez três andares dentro do teatro, um cenário maravilhoso, para a gente montar uma peça. A Prefeitura financiou a nossa produção. Pelo menos, até abrir o pano, sempre foi assim. Enquanto teve toda essa vontade política, todos esses fatores, depois com o Teatro Municipal, antes com o Teatro Conchita de Moraes, sempre teve essa colaboração do Secretário, a Prefeitura nunca fez censura, nunca houve nada. A gente sabia que eram anos de chumbo. O GTC foi de 1968 a 1978 e a gente fazia um teatro velado e subliminar. As mensagens políticas eram todas subliminares.

 

Pergunta: 

E dentro desses anos de chumbo vocês tiveram incidentes, como o desaparecimento da Heleni Guariba? Como foi para o grupo, com vocês começando um trabalho?

 

Resposta: 

Sim. Foi um horror. Ficamos órfãos. Foi logo no segundo trabalho. A Heleni desapareceu em 1969 e a gente estava preparando a segunda montagem quando ela foi presa e sumiu. Nós ficamos muito desarvorados, todo mundo sem saber o que fazer. Aí o Petrin pegou e montou O Noviço, para a gente não dispersar. Montamos essa peça de Martins Pena, montamos em São Caetano, porque nós não tínhamos mais teatro. O Teatro de Alumínio tinha sido demolido e não tínhamos mais lugar nenhum para fazer teatro. Nós viemos fazer em São Caetano, no auditório de uma escola na Avenida Goiás. Era o teatro de São Caetano da época. Aí foi. Com o desaparecimento da Heleni ficou aquela coisa, porque nós ficamos muito atrás disso, todo mundo muito empenhado em onde ela está. Não era só a Heleni, que era amiga da gente, que tinha sumido. Tinha sumido muita gente. Tive uma experiência em 1964, quando era presidente da Associação dos Universitários e teve aquela coisa dos guerrilheiros do ABC, que eram amigos nossos, que eram da AUSA que sumiram e fiquei fuçando até achar todo mundo. Eles  foram presos. Isso já fazia parte da vida da gente. Fazia cinco anos que a gente andava atrás de amigos presos. A gente não tinha, a notícia da morte da Heleni é uma coisa recente, porque até então, nós ficamos até dez anos atrás achando que ela ia aparecer. Meio difícil, um sonho da gente, porque se tivesse alguma coisa, até os filhos saberiam. Ela tinha sogro general e tudo e ninguém soube nada. Foi uma coisa dura, mas nós continuamos, para fazer uma homenagem a ela, porque ela que deu o rumo de que tipo de teatro a gente tinha de fazer, qual era a nossa linha. Ela era uma pessoa fantástica, o marido dela também, o Ulisses, uma pessoa ótima. Nós éramos provincianos e com muita boa vontade, vontade política de fazer as coisas, mas foi muito em homenagem a ela que nós levamos à frente, até que as coisas começaram a se esvaziar, quando não tinha mais Prefeito, quando o Muller não era mais Secretário, as pessoas já tinham se dispersado do GTC e a força acabou virando água naturalmente.

 

Pergunta: 

Qual era essa linha?

 

Resposta: 

Era a gente fazer um teatro que tivesse um compromisso social. Ninguém ia fazer um teatro comercial, nem teatro besteirol, porque a gente tinha o compromisso de formar um público de teatro, porque o nosso público era muito pequeno. Nós começamos a levar gente, mas era levar mesmo. Vai lá buscar na escola, vender o espetáculo. O professor está envolvido, a escola está envolvida, os alunos vivem e os alunos terem um compromisso com aquele teatro que eles estão vendo, porque aquilo ia fazer parte da formação deles e ia acrescentar alguma coisa. Não era um simples lazer. Nossa linha era essa, um teatro com o fim de formar uma platéia que você sempre ia acrescentar alguma coisa para esses alunos, porque eram sempre alunos, a partir dos 12 anos, até adultos. Nós tivemos algum sucesso porque formamos uma platéia muito boa. Você tem uma responsabilidade muito grande, porque se você começar a mostrar porcaria para as pessoas quando elas são pequenas, elas ficam odiando o teatro, como o cinema, como qualquer coisa. A iniciação é sempre muito importante.

 

Pergunta: 

Como foi a sua atuação no GTC?

 

Resposta: 

Sempre trabalhei na administração e produção, tesouraria, toda essa parte por trás dos bastidores. Em todas as montagens fiquei na parte de produção, de administração, na parte de tesouraria. Sempre a gente revezava entre a gente.

 

Pergunta: 

Como funcionava a venda de espetáculos, a produção?

 

Resposta: 

A venda era uma coisa muito engraçada. Na época do GTC nunca ninguém tinha feito isso, de vender espetáculos em escolas. Foi a primeira experiência. Nós éramos três ou quatro sócias, eu, a Laura, a Iara, a Célia, e pegamos essa responsabilidade. Montamos o material, levamos, pedíamos licença para o diretor da escola, vendíamos o que estávamos fazendo. Era uma coisa muito utópica. Era mais sonhado do que realmente era, mas valeu a pena porque esse entusiasmo fez com que a gente chegasse nisso. Nós demos muita sorte porque os diretores recebiam a gente muito bem. A gente chamava sempre o professor de português ou de história. E como era uma proposta, como as escolas não tinham muito que fazer no lazer dos alunos, era uma coisa boa para  a escola também. No segundo ou terceiro ano do GTC você só ligava para a escola e eles falavam que podia ir. Mas os primeiros foram um susto, porque no Teatro de Alumínio, que era da SCASA, Sociedade de Cultura Artística, era uma sociedade dos velhinhos que ficavam lá de donos do teatro e o Sr. Chiarelli sempre dirigia uma peça e era aquela coisa de as pessoas amigas apresentarem e acabava. De repente eles viram a gente com aquele cenário, aquela produção toda, gente trabalhando, aquela criançada que entrava e lotava o teatro, e era cadeira de madeira, de puxar, e também algumas cadeiras do Cine Santo André, velhas, que eles tinham dado para a gente, que balançavam. Quando chovia, você não escutava nada porque o telhado era de zinco e fazia uma barulheira. O pessoal passava na rua falando e atrapalhava lá dentro. Eles não entendiam como a gente fazia teatro. Aí nós tivemos uma grande receptividade de mídia também. Os críticos de teatro, todos, vieram nos assistir e falaram bem da gente, teve tese do Timochenco na USP sobre o GTC, porque no começo ele fazia parte do GTC também, a Dilma, porque eles eram todos amigos da Heleni e do Ulisses, da USP. O professor Antônio Cândido foi o primeiro a vir assistir ao Jorge Dam Dam, o ensaio geral. Era um frio, em julho. Os críticos vinham e nós ficamos, logo depois teve a Tereza Vargas, que fez um teatro parecido em Campinas, que era profissional, mas não tinha as características nossas, porque a Prefeitura de Campinas não ajudava tanto como a Prefeitura de Santo André. Essa era uma tranqüilidade da gente, que até abrir o pano você tinha a produção garantida.

 

Pergunta: 

Fale um pouco sobre a inauguração do Municipal.

 

Resposta: 

Foi outro parto, porque já estava tudo funcionando, a Prefeitura, o Executivo, a Biblioteca, estava tudo funcionando e aquele teatro não ficava pronto. Nós fizemos, em 1968 nós fizemos Jorge, em 1969 fizemos O Noviço em São Caetano e em 1970 montamos O Barbeiro de Sevilha no antigo Cine Santo André, porque ele foi desapropriado, abriram uma avenida e sobrou um pedaço do cinema. Nós fizemos uma arquibancada de madeira e lá nós tivemos grandes espetáculos. A SCASA ficou com a sede lá, por pouco tempo também. E o teatro não ficava pronto. Até o que o Acylino Bellisomi, que hoje é o Secretário de Cultura de Santo André, era Vereador na época e o Professor Lazzarini, que era o Secretário de Educação na época, o Muller era Secretário de Cultura, ele pegou o touro à unha, pegou aquilo como uma questão de honra para ele. Os equipamentos já tinham chegado e estava aquela coisa por terminar. Ele foi lá, arrumou dinheiro, fez um movimento grande no meio dos Vereadores, do Executivo e conseguiu com que o teatro ficasse pronto. Aí nós escolhemos uma peça, que foi A Guerra do Caça Cavalo, para inaugurar o teatro. Mesmo assim o teatro foi inaugurado, tinha o equipamento lá, mas o equipamento era importado e as pessoas não sabiam mexer e o Flávio Rangel esteve aqui com o espetáculo Coriolano, que ele dirigiu o Paulo Autran, e a Prefeitura até deu um subsídio, estava tudo lacrado, ele pegou e arrebentou os lacres, chamou os técnicos e ensinou a todos a mexer no equipamento. Era tudo assim, porque era tudo muita novidade. A gente era muito pobrinho e essas coisas muito grandes, mas foi difícil. Não ficava pronto. Se não fosse um político, que era da oposição, fazer barulho, não teria saído. Saiu pelo Acylino. Foi ele que conseguiu.

 

Pergunta: 

Tirando o fato do desaparecimento da Heleni Guariba, teve algum outro incidente que foi movido pela repressão, que atacou o GTC? Você poderia também comentar como foi a busca de vocês pela Heleni?

 

Resposta: 

A busca da gente foi assim. A gente conhecia alguém que trabalhava no DOPS, ou dentro do presídio, amigos advogados que já cuidavam de clientes presos políticos e que tinham acesso. O pessoal, os Guerrilheiros do ABC foram presos, não tinham culpa formada, não tinham nada, isso em 1964, aí eu fui, pela minha cabeça, no batalhão de São Paulo, para pedir notícias. Falei que era presidente da associação dos universitários e que precisava de notícias de amigos que foram presos. Até conheci uma pessoa que se tornou um grande amigo meu, um advogado de presos políticos, Almino Afonso. Ele falou para eu passar no escritório para entrar com um habeas corpus porque aí eles são obrigados a responder. Entramos com o pedido, eles estavam no DOPS e tiraram eles de lá e transferiram para outro presídio do Parque D. Pedro. Tinha um menino de São Caetano que serviu o exército lá e conversou com o pessoal e eles pediram para ele me ligar. E depois mandaram eles para outro presídio. Mas com isso nós ficamos sabendo onde eles estavam, porque se esse meu amigo advogado não tivesse feito isso, eles teriam desaparecido como todos os outros. Eles foram convidados a se manifestar e nesse troca-troca de presídios, eles compraram um carcereiro que me avisou onde eles estavam e mandei um advogado com procuração. Depois foram para a detenção e foram julgados na Segunda Auditoria de Guerra. A gente tinha uma coisa meio de ir por baixo dos panos, a gente tinha infiltração nos lugares.

 

Pergunta: 

A gente gostaria de pedir para você deixar algum registro que você ache importante que fique gravado e registrado.

 

Resposta: 

Eu sempre trabalhei na área de cultura, fiz diversos cursos, dei aula de teatro. Sou apaixonada pela cultura brasileira, pelo Brasil, pelas coisas do Brasil. Estou sempre metida nessas coisas. Já fui diretora de faculdade de teatro, Faculdade Paulista de Arte e estou sempre nessa área das artes. Só gostaria de dizer que esse trabalho de vocês é uma coisa de extrema importância. Eu vejo meu pai, tenho o livro dele lá em casa, ele é uma pessoa, um engenheiro, mas que sempre gostou de escrever, ele tem diversos contos sobre Santo André antiga, fez a história da Rhodia porque ele trabalhou 45 anos lá, então sei que as pessoas todas, quando precisam de alguma coisa, vão lá perguntar para o meu pai, se dá para identificar uma fotografia, justamente porque não temos o registro das coisas. Acho que melhorou muito na época que o ABC começou a dar importância aos nossos museus, porque aí começou a preocupação com a documentação e com o depoimento oral das pessoas, porque a gente não tem documentos. E agora as pessoas se preocupam em ter essa coisa da memória, de dar importância. Até pouco tempo ninguém dava a mínima para isso. E o ABC tem um monte de histórias, um monte de coisas que a gente só resgata no depoimento mesmo. Nós estávamos conversando na minha casa que antes de o Poder Público assumir a cultura, era a comunidade que era dona da cultura. Santo André tinha um clube de fotografia, uma biblioteca circulante, uma orquestra sinfônica, a Sociedade de Belas Artes, com cursos e tudo. Tinha o SCASA, que era de teatro, diversos grupos amadores, e pouco registro de tudo isso, porque à medida que se construiu o Paço Municipal, a Escola de Belas Artes fecha porque foi desapropriado o lugar, derrubaram, o acervo foi para a Prefeitura, mas a Prefeitura já abriu o seu Salão de Arte Contemporânea. O teatro também ficou uma coisa com o Teatro Municipal, com o Departamento de Cultura, a Biblioteca Municipal. A Prefeitura começou a fazer salão de fotografia, cinema. Lógico que isso é muito bom. E antes disso o que tinha? Tinha tudo isso. Cinema não tinha ninguém, mas fotografia e artes plásticas tinha, teatro tinha um movimento muito grande. Se você for procurar essas coisas, você não vai achar e são coisas que estiveram aí durante 50 anos. O primeiro teatro de Santo André, que era no Clube da Rhodia, era feito em italiano, em 1940. Nós temos um depoimento do Sr. Chiarelli, que o Zé Armando registrou no livro dele, dessas poucas coisas que ele conseguiu com essas pessoas mais antigas. Mas não tinha nada. Ele não tinha mais nada, nem um programa, nada disso. Eu fico muito feliz de poder contribuir com alguma coisa e tem muita coisa que a gente gostaria de resgatar e não tem mais como. Acho muito importante esse trabalho, principalmente ligado às universidades do ABC.

 

Pergunta: 

Ao que você deve a dissolução do GTC?

 

Resposta: 

Como nós tivemos um leque de fatores favoráveis, isso acabou. Eu e o Zé Armando tínhamos mudado de Santo André, a Sônia Guedes e o Petrin se profissionalizaram de uma tal maneira que já saíram de São Paulo. E tinha algumas pessoas do GTC, um pessoal mais novo que tinha entrado depois, porque do pessoal que fundou do GTC, quem ficou foi eu, o Zé Armando, o Petrin, a Sônia, a Rosinha, a Silvinha. Depois veio a Gabi, o Taubaté. Eram poucas pessoas. O pessoal que fazia teatro em Santo André e foi entrando depois, mas quem dava muito as cartas, falavam que era tudo uma máfia, que vocês se juntam na casa da Naná e você, o Zé Armando, o Petrin e a Sônia que resolvem tudo. No dia seguinte o Petrin falou que dava o GTC para eles resolver. Não conseguiram montar nada, não conseguiram verba e acabou. Acabou porque é uma coisa do tempo, do tempo e da importância. Esses dez anos foram a curva. Já tinha dado muitos frutos, tinha muita gente fazendo coisas. Tanto que depois o Petrin, a Sônia e o Portela montaram uma companhia profissional, com fins lucrativos. Não era essa coisa de sociedade civil sem fins lucrativos, como era o GTC. também acabou a vontade política da Prefeitura e sem isso não teriam condições de bancar e competir com o teatro profissional, de grandes astros e estrelas.


Acervo Hipermídia de Memórias do ABC - Universidade de São Caetano do Sul