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HiperMemo - Acervo Multimídia de Memórias do ABC da Universidade IMES

DEPOENTE

Lídia Ganev Ialamov

  • Nome: Lídia Ganev Ialamov
  • Gênero: Feminino
  • Data de Nascimento: 23/02/1937
  • Nacionalidade: 23
  • Naturalidade: Santo Anastácio (SP)
  • Profissão: Aposentada

Biografia

Descendente de imigrantes búlgaros. 



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Transcrição de Depoimento de Lídia Ganev Ialamov em 23/03/2018

CONVERSA COM D. LÍDIA (LIBA) GANEV IALAMOV (81 ANOS), 2ª. GERAÇÃO DE MULHERES BÚLGARAS BESSARABIANAS. (SÃO CAETANO DO SUL-SP) - 23/3/2018.
Texto produzido por Vilma Lemos a partir das memórias narradas pela depoente. Optou-se por redigir em 1ª. pessoa. O texto passou pela leitura da depoente e de familiares.

Nasci em Santo Anastácio (SP), no Brasil, em 23 de fevereiro de 1937, tenho 81 anos, sou a caçula de 12 filhos.
Meus pais vieram da Bulgária em 1926, porque a situação política e econômica da então Bessarábia era crítica. Imigrar era uma saída. Minha mãe tinha 28 anos. Trouxeram 2 filhos, Alexandra (5 anos) e Zinóbia (3 anos). Ambos eram viúvos. Em agosto, Alexandra vai fazer 98 anos. A Zinóbia faleceu há 3 anos, com 90.
Meu pai se chamava Pedro Ganev, era carpinteiro e minha mãe, Achilina (Kalina) Dimov Ganev. Os dois nasceram na Bulgária. Minha mãe, no dia 3 de outubro de 1898. Do meu pai, só sei o dia e o mês: 13 de maio.
Eles vieram para a Hospedaria do Imigrante em São Paulo. De lá, foram para uma fazenda em Ourinhos. Como era trabalho escravo, somente ganhavam a comida, fugiram. Foram para Santo Anastácio, onde meu pai comprou fazenda para plantar algodão e amendoim.
Quando eu tinha 8 meses, vim para São Paulo, na Vila Lúcia e Vila Bela, porque estava com tracoma. Só voltei a Santo Anastácio com 7 anos.
Os demais irmãos foram morrendo, vitimados por diarreias, inanição, falta de médico, a ponto de só restarem 4. Hoje, só tem eu e a Alexandra.
Em casa, só falávamos em búlgaro. Até hoje sei falar. Minha mãe não aprendeu português, era analfabeta. Meu pai sabia ler. Eles queriam juntar dinheiro para voltar para a Bulgária. Nunca conseguiram. Meu pai morreu com 84 anos, muito fraco, mas ainda conseguiu comprar duas casas.
Lembro que, quando chegava carta da Bulgária, muita coisa vinha riscada. As partes em que os parentes contavam que estavam sofrendo lá. Era censura, né?
A comida em casa era arroz, feijão, ensopados. O dinheiro dava justo para a comida, para a prestação da casa e da máquina de costura que meu pai comprou para uma irmã que costurava as roupas. Se ganhávamos presentes?! Não! Nada de presentes, brinquedos. Tínhamos uma tevê preto e branco.
Minhas irmãs foram trabalhar como domésticas. Ficavam na casa das patroas a semana e só vinham para casa no domingo. Eu consegui estudar até a 4ª. série do ginásio (atual 9º. ano). Estudei no Colégio Orozimbo Maia, na V. Prudente. Hoje já não existe.
Aos 12 anos, eu era faturista num escritório da V. Prudente, na Rua Pacheco Chaves. Saía do escritório e ia a pé para a escola, sem jantar. As aulas terminavam às 23h45. Anos depois, fui trabalhar como bancária no Unibanco, onde fiquei por uns 5, 6 anos. Depois, trabalhei no escritório da Indústria Matarazzo de São Caetano do Sul, fazendo folha de pagamento. Fiquei aí por uns 5 anos.
Casei-me com Salvador Ialamov, que já conhecia de Santo Anastácio. Eu tinha 23 anos. Hoje, são 58 anos de casada. Moramos na V. Zelina. Tivemos 3 filhos: Sandra (55 anos), Eduardo (54) e Edson (48). Já estou aposentada, mas sempre quero ter uma atividade. Outro dia, minha filha Sandra arrumou 50 cadernos para eu encapar!



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