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Universidade Municipal de São Caetano do Sul, 06 de julho de 2005.
Núcleo de Pesquisas Memórias do ABC
Entrevistadores: Elias Estevão Goulart e Robson Conceição.
Transcritores: Meyri Pincerato, Marisa Pincerato e Márcio Pincerato.
Pergunta: Por favor, comece falando a data e local de seu nascimento e nos conte um pouco sobre sua infância.
Resposta:
Nasci no dia 19 de março de 1941, em Santa Rosa do Viterbo, São Paulo. Para falar um pouco da minha infância, quando eu nasci, para falar de quando era recém-nascida, eu perdi meu pai. Meu pai faleceu quando eu tinha dois meses. Eu fui criada pela minha mãe e pelos meus irmãos, que eram cinco. E era aquela vida do interior. Para mim não foi difícil porque eu era pequena, mas foi difícil para a minha mãe que ficou viúva e antigamente quando se ficava viúva não era como é agora, que se tem pensão, mas antigamente não tinha nada. Ela ficou viúva com os filhos. Aí nós viemos morar mais na cidade. Minha mãe sofreu muito porque ela era reumática e tinham torrado o café e veio um temporal e ela saiu para recolher a roupa e ela começou, deu aquele golpe térmico, e ela ficou reumática. Mas mesmo assim ela sempre lutou muito, cuidando dos filhos. Aí nós viemos para São Paulo, mas quando viemos para São Paulo, eu já tinha 5 anos.
Pergunta: Naquele tempo em que seu pai era vivo, ele trabalhava em quê?
Resposta:
Eles eram lavradores. Trabalhavam na roça com café, colhendo algodão.
Pergunta: Era por cooperativa?
Resposta:
Não. Eles trabalhavam para o patrão. Agora, quem era o patrão eu não sei.
Pergunta: A senhora era a filha mais nova?
Resposta:
Era a filha caçula, com uma diferença de oito anos. Quando meu irmão tinha 8 anos, eu nasci. Eu tinha um irmão com 18, mais dois e a minha irmã e meu irmão que tinha 8 anos. Eles já estavam mais mocinhos e eles ajudavam na roça. Aí nós viemos para a cidade, mas mesmo assim eles trabalhavam na roça, para carpir café. Eu não entendi muito porque não trabalhei nisso. Aí nós viemos para São Caetano. Quando nós viemos para cá eu tinha 5 anos e me lembro bem. Nós fomos morar na Rua Sílvia. Quando a gente saía do centro de São Caetano para ir para a minha casa, não tinha ônibus. O ônibus ia até onde é o Joanin e de lá ia a pé pela trilha. A gente morou lá muito tempo. Nós não mudamos muito em São Caetano. Nessa caminhada de morar na Rua Sílvia a minha mãe foi trabalhando, ela lavava roupa para fora, ela ia se virando, lavava roupa de jogador, tudo que aparecia ela fazia. Ela foi juntando um dinheiro e com esse dinheiro deu para o meu irmão comprar um terreno na Rua Manuel Augusto Ferreirinha. Nesse ínterim, nós morávamos na Rua Sílvia num quarto e cozinha e daí a minha mãe arrumou uma casa maior e nós fomos morar na Rua Manoel Augusto Ferreirinha e de lá ela juntou um dinheiro, porque antigamente era mais fácil dar entrada num terreno e ela comprou um terreno nessa mesma rua. A gente fazia aquele mutirão de final de semana, ia todo mundo ajudar e foi feita uma casa e nós passamos a morar numa casa própria.
Pergunta: Em que ano?
Resposta:
Eu já devia estar com uns 6 ou 7 anos.
Pergunta: Os seus irmãos começaram a trabalhar com que idade?
Resposta:
Trabalhavam cedo. Mas quando vinham para cá, antes de vir já arrumavam emprego. Então, meu irmão começou a trabalhar na Cerâmica, os outros irmãos começaram a trabalhar em firmas, na Mollins, e arrumaram emprego rápido.
Pergunta:
Qual o nome da sua mãe?
Resposta:
Feliciana Ribeiro da Silva.
Pergunta: E a senhora estudou em qual escola
Resposta:
Na Roberto Simmonsen.
Pergunta: O que você se lembra da escola?
Resposta:
Quando fui para a escola eu já morava nessa casa que minha mãe construiu. Eu comecei a fazer o primeiro ano na Escola Senador Roberto Simmonsen. Na escola, minha primeira professora era a dona Maria Rita, que era brava, mas era brava no sentido de disciplina, mas tinha um coração muito grande, porque eram crianças carentes, então ela trazia roupas para as meninas, trazia lanches para os alunos mais necessitados. Estudei com a dona Maria Rita, depois com a dona Maria de Lourdes e assim foi caminhando, mas das outras professoras eu não lembro. Lembro bem da dona Maria Rita. Ela morava em São Paulo e tinha duas filhas. Às vezes ela trazia as filhas, duas meninas boazinhas. A gente gostava porque ela trazia muita coisa para a gente.
Pergunta: (Inaudível)
Resposta:
No Roberto Simmonsen eu fiz até a quarta série, porque antigamente parava. Eu comecei a querer arrumar emprego e não conseguia e comecei a fazer admissão ao ginásio. Essa admissão eu fiz no Sílvio Romero, com a professora Marlene.
Pergunta: Esse era um curso a parte, particular?
Resposta:
Era, mas elas não cobravam. Elas pegavam umas crianças e davam aulas.
Pergunta: De reforço?
Resposta:
Exato. Era a dona Marlene, que tinha uma farmácia ali onde é o Joanin mesmo. Eles tinham uma farmácia e ela era professora. E como a gente se preparava para a primeira comunhão, ela foi pegando, não sei se os alunos que tinham melhores notas, mas sei que ela selecionou uma turminha e nós fizemos admissão ao ginásio. Na primeira vez eu não passei, fiquei muito triste, aí tentei de novo e consegui, porque era como um vestibulinho, que tinha a admissão ao ginásio. Eu fiz aqui no Instituto de Ensino de São Caetano do Sul. Arrumei bolsa de estudo porque não tinha condições. Agora, não sei como meu irmão mais velho arrumou para mim uma bolsa de estudos. Não sei como foi, mas foi através da Prefeitura. Antigamente era assim, eles arrumavam bolsa de estudos, mas eles iam à casa da pessoa para ver se realmente a pessoa precisava ter a bolsa. Aí eles foram até minha casa, o pessoal do serviço social, conversaram muito com a minha mãe e peguei bolsa integral. Aí fiz até a quarta série e precisei parar um pouco de novo porque a situação estava muito difícil. E foi rápida a minha vida. Eu fiz o ginásio, mas eu comecei a arrumar alguma coisa para fazer, mas era difícil. A gente tinha de se arrumar toda e seguir a vida. Arrumei para dar aula mas não deu certo, depois trabalhei na Cerâmica São Caetano, porque antigamente todo mundo que morava em São Caetano trabalhava na Cerâmica.
Pergunta: Com que idade?
Resposta:
Eu tinha 17 anos, mas trabalhei pouco tempo, um ano e meio. Eu trabalhava na seção das prensas. Eu fui lá, fiz o teste para trabalhar no escritório, mas, como não havia vaga e eu estava precisando trabalhar, eu fui trabalhar nas prensas, como ajudante de prensista. Nesse intervalo eu já estava fazendo o técnico de contabilidade no Instituto e fui na Prefeitura, mas não tinha condições de falar com o Prefeito, porque era sempre lotado. Naquela época era o Campanela. Um dia fui trabalhar, porque eu entrava às cinco horas, mas perdi a hora porque eu estudava até onze e vinte e no outro dia eu entrava às cinco horas, e nesse dia, como eu perdi a hora eu resolvi não ficar em casa e ir até a Prefeitura, porque quem sabe indo agora na Prefeitura é mais fácil. E foi bom porque encontrei o professor Vicente, que era o chefe de gabinete do Campanela e eu conversei com ele. Ele falou que se eu quisesse ficar lá, podia ficar, mas ele não costumava vir de manhã. Eu falei que estava sem pressa. Justo nesse dia o Campanela apareceu e ele chegou e me viu, porque quando você vai e tem muita gente, não dá para ver. O professor falou que eu precisava de uma vaga, porque não era como agora, só através de concurso. Na semana seguinte ele me mandou ir lá fazer um teste. Eu fiz o teste e foi bom, porque eu estava estudando e caiu só coisa que eu sabia. Eu comecei a trabalhar na Prefeitura em 1962.
Pergunta: Quando a senhora trabalhava na Cerâmica, como era o seu trabalho, qual era a sua atividade? O que a senhora fazia?
Resposta:
Era ajudante, porque o prensista, tinha a máquina, ele empurrava o barro, prensava o ladrilho e puxava de novo e tirava o ladrilho e colocava na caixa.
Pergunta: Era um trabalho pesado?
Resposta:
Não cansava, mas tinha de ficar atenta, porque a prensa, se você não prestasse atenção, ela podia cair e machucar, tirar um dedo. Era um serviço de muita atenção e perigoso.
Pergunta: A senhora viu algum acidente trabalhando lá?
Resposta:
Eu não vi, mas teve gente que sofreu sim. Você precisava prestar muita atenção.
Pergunta: Tinha muitas pessoas trabalhando lá?
Resposta:
Tinha. O prensista, eu ganhava por hora, mas ele ganhava por produção, então ele tinha de fazer muito serviço para ele ganhar. Então, por isso que tinha de ser corrido. Ele jogava o barro e já prensava e você tinha de ir rápido. Tinha uma pessoa que colocava o barro, mas era seco, no modo de falar. A gente colocava na caixinha, empurrava e puxava e saía o ladrilho e colocava na caixa e ia embora, para outras pessoas levarem para os fornos.
Pergunta: Qual era seu horário de trabalho?
Resposta:
Era das cinco da manhã até quinze para as duas.
Pergunta: A senhora foi registrada nesse período?
Resposta:
Fui. Foi muito bom porque me ajudou a me aposentar.
Pergunta: Todos que trabalhavam eram registrados?
Resposta:
Todos. A partir do momento que era contratado, ia ao departamento pessoal. Antes disso era feito o exame médico, fazia tudo normal. Não sei se agora é assim, mas antigamente, antes de trabalhar, você tinha de fazer todos os exames médicos para ver se a pessoa tinha saúde para desempenhar a função. Se pega uma pessoa doente, naquele serviço não tinha condições de trabalhar.
Pergunta: E o salário que você recebia dava para viver?
Resposta:
O meu salário ia todo para a minha casa, porque fiquei só com a minha irmã, porque meus irmãos casaram e fiquei com a minha mãe. Tive um irmão que morreu novo ainda e minha irmã também. No caso fiquei com a minha mãe e meu salário era para tudo. Teve uma época que teve uma greve dos Vereadores com o Prefeito e eles não queriam pagar. Eles brigavam lá entre eles e quem sofria era a gente. O Vereador não assinou a nossa folha de pagamento e nós ficamos um tempão sem receber. Então, eu tinha de comprar, mas como no armazém onde a gente comprava, ele vendo a situação, um japonês, ele deixava. De repente eu comprei dois ou três meses e não pagava, mas ele sabia que quando eu recebesse a gente ia lá acertar. Mas era só para a minha mãe, o dinheiro era todo para a casa mesmo, porque não ganhava muito, mas dava para sobreviver.
Pergunta: Sua mãe não tinha pensão?
Resposta:
Minha mãe nunca teve nada. Ela só trabalhou na vida, porque lá no interior não tinha isso. o marido trabalhava na roça, não era registrado e quando morria não era nada.
Pergunta: Quando você foi trabalhar na Prefeitura, onde você foi trabalhar?
Resposta:
Na Junta Militar. Fui designada para a Junta Militar e lá trabalhei por doze anos.
Pergunta: O que você fazia lá, era no alistamento?
Resposta:
Na minha época a gente fazia o alistamento dos recrutas que iam para o tiro de guerra. Os que eram dispensados recebiam o certificado de dispensa, os que eram isentos também recebiam, maiores de 45 anos também. Quando a pessoa tinha mais de 45 anos, não pegava certificado militar, mas certificado de isento. Não sei se continua assim. O meu serviço era trabalhar no alistamento. Quando cheguei entrei no arquivo, porque tinha um departamento de arquivo de fichas, então a gente fazia o alistamento e depois que fazia o mapa mandava para a 4ª CSM, porque é um serviço junto com a delegacia e a CSM. Depois que o certificado vinha de lá, assinado pelo coronel, a gente entregava para o dispensado.
Pergunta: O que é CSM?
Resposta:
É 4ª Circunscrição de Serviço Militar.
Pergunta: Você recebeu algum treinamento para trabalhar lá?
Resposta:
Não. A minha vida foi assim, ir onde estava precisando de gente. Eu entrava e ia aprendendo. Mesmo quando vim trabalhar na Prefeitura, eu fui lá para substituir uma moça e eu cheguei lá e não tinha ninguém para me ensinar e tive de aprender sozinha. Lá na Vigilância Sanitária também foi a mesma coisa. Quando foi trabalhar com o Dr. Constâncio, ele fazia uns relatórios muito grandes, e ele era muito organizado e gostava das coisas bem feitas, quer dizer, até eu entender o que ele queria, sofri, mas eu procurava sempre entender o que o chefe queria para fazer bem. Tanto é que todo lugar que eu trabalhei, quando eu saía, eles nunca queriam que eu saísse.
Pergunta: Qual a sua função quando a senhora trabalhou na Junta Militar?
Resposta:
Naquela época todo mundo que entrava era escriturário. Eu entrei como escriturária. Eu fiz um teste e passei, está tudo lá no meu processo, então eu entrei como escriturária e trabalhei muito tempo como escriturária. Depois de um tempo eu fiz o curso de secretária, quando estava na Junta, e quando foi para pegar o cargo de secretária, o chefe aposentou e eles acharam melhor dar para outra, que nem tinha o curso. Depois o coronel ficou sabendo e ele foi muito enérgico, porque como vão dar um cargo para uma pessoa que não tem curso? Aí eu me aborreci e pedi transferência. Eu fico no lugar até onde eu vejo que dá. Quando a gente vê que não dá, a gente pede transferência, porque não tinha mais ambiente. Nessa transferência eu fui trabalhar na Vigilância Sanitária.
Pergunta: Por causa disso, que você não conseguiu a vaga?
Resposta:
Não por causa da vaga, mas porque quando você começa a trabalhar em um lugar, é q eles queriam dar a minha vaga para outra pessoa, então não tinha como e eles começaram a me tratar como se eu fosse uma retardada. Eu fazia tudo lá dentro e de repente eu não podia fazer mais nada. Nem uma impressão digital eu não podia tirar. Já que não podia trabalhar mais lá dentro, pedi a transferência.
Pergunta: Onde ficava a Junta?
Resposta:
Ficava ali embaixo do Viaduto dos Autonomistas. Agora só tem os escoteiros ali.
Pergunta: Tinha muitas pessoas trabalhando lá?
Resposta:
Nós éramos oito pessoas.
Pergunta: E havia perseguição a outras pessoas lá?
Resposta:
Não. Foi só comigo. Era só comigo. De repente a gente vê a situação do Lula, mas de repente é alguém que está forçando ele por trás. De repente é alguém forçando o chefe a fazer. Pode ser que ele não queria, mas ele era obrigado a fazer aquilo comigo. A gente vai e volta e a gente vê que uma pessoa que está na frente sempre tem alguém que está dando as ordens por trás. Ele agia daquele jeito comigo, mas você via que não era porque ele queria, mas porque alguém estava exigindo.
Pergunta: Onde você fez o curso de secretária?
Resposta:
Fiz na 4ª CSM, em São Paulo, na própria Junta.
Pergunta: No horário de trabalho?
Resposta:
Agora, quando tem algum curso as pessoas saem e ficam por uma semana. Nós ficamos 15 dias fazendo o curso lá em São Paulo, o dia todo.
Pergunta: Eram quantas pessoas?
Resposta:
Ia uma pessoa por departamento. Aqui na Junta Militar fui eu e antes tinham ido outras duas. Aí fui eu e a Tânia, mas como eu era a mais velha de casa, por normas, se saísse alguém quem teria de pegar o cargo era eu. Em vez de ser a Tânia seria eu, por ser mais velha de casa.
Pergunta: E depois você foi para a Vigilância Sanitária. Como era o trabalho lá?
Resposta:
Trabalhar com o Dr. Constâncio, com o Dr. José. Eu fui por transferência, eu fui para lá e a moça de lá veio para a Junta. E era muito bom trabalhar lá, porque a Vigilância Sanitária era o negócio de pegar cachorro na rua. Eles pegavam os cachorros, levavam para lá, cuidavam. Duas vezes por semana tinha o atendimento aos animais com o Dr. Constâncio e o Dr. José, que faziam esse tipo de atendimento veterinário.
Pergunta: Quantas pessoas trabalhavam lá?
Resposta:
Tinha os laçadores, vários homens, mas no escritório era eu e uma moça.
Pergunta: Onde ficava?
Resposta:
Continua ali mesmo, perto do Fórum.
Pergunta: O seu cargo era o mesmo, escriturária?
Resposta:
Sim.
Pergunta: Nesse período, a senhora falou que teve uma greve? Como foi?
Resposta:
O Prefeito era o Campanela e o Presidente da Câmara era o Leandrini. Eles se desentenderam naquela época e o Leandrini não assinou a nossa folha. Mas depois a gente recebeu. Ficamos sem receber, mas recebemos os atrasados.
Pergunta: Por quanto tempo a senhora trabalhou na Vigilância Sanitária?
Resposta:
Fiquei pouco, acho que não cheguei a ficar um ano. Fiquei pouco porque o coronel, quando ele soube que tinha saído uma secretária, porque com toda essa confusão teve uma pessoa que levou até a 4ª CSM o que estava acontecendo na Junta, ele falou que não, que eu teria de voltar. Aí eu saí da vigilância e fui trabalhar no prédio da Prefeitura. Novamente eu fui substituir uma pessoa, a Marta, que tinha saído para ganhar bebê e vim trabalhar com os jornalistas. Olha a minha vida!. Essa época foi muito boa, porque o jornalista não se prende a coisas da gente. Eu chegava lá e falava que não sabia como fazer, porque não entendia nada. Falavam que era para fazer como eu achasse melhor. Eles me deixavam à vontade. Eu tinha processos para tudo quanto é lado. Eu nunca tinha visto processo na minha vida porque nunca tinha trabalhado com processos, então eram muitas folhas, aquelas mesas estavam transbordando. E os jornalistas entravam e saíam, eles queriam fazer a matéria e nesse ínterim eu fui aprendendo a montar, fui separando, consegui arquivar alguma coisa e não tinha quem me ensinasse. Eu aprendi sozinha e foi bom, porque aprendi sozinha e na raça. E fiquei substituindo a Marta. E quando a Marta voltou, o chefe era o Cabral, ele não quis que eu saísse mais. A Maria José não vai sair, vai ficar com a gente. Isso ele falou para o Prefeito na minha frente. Não sei se era o Prefeito não me queria na Junta, mas depois ele teve de me agüentar junto dele. Não sei se era ele. Estou falando assim porque a gente não sabe o que acontece lá atrás, entre eles. Fiquei lá e depois a Marta teve outro bebê e saiu de novo e eu continuei na Imprensa. Era muito bom trabalhar lá.
Pergunta: O Cabral era quem?
Resposta:
Era o chefe.
Pergunta: Qual o nome dele?
Resposta:
José Maria Cabral, que era o chefe. Tinha o Valdemir Zupetrolli, que escreve alguma coisa para o Diário do Grande ABC. Eram os dois apenas, e de fotógrafos tinha o José o Jorge Agato. O Jorge agora trabalha na Câmara.
Pergunta: Por quanto tempo a senhora ficou na Imprensa?
Resposta:
Fiquei bastante tempo.
Pergunta: Qual era a sua função?
Resposta:
A função era secretária, mas era registrada como escriturária. Mas era bom porque a Imprensa é um ambiente muito freqüentado e vinha muita gente. Todo mundo que ia à Prefeitura, o primeiro lugar que entrava era na Imprensa. Então, era o dia todo aquele movimento e não via o tempo passar. A gente fazia, o Cabral escrevia, fazia o rascunho, eu passava a limpo, depois levava para o Gremier, que era o chefe de cerimonial para corrigir e depois ele tornava a fazer a revisão, para poder mandar para o jornal. Era um ambiente muito bom e eu gostava. Não tinha perseguição, não tinha nada. Se você atrasasse, porque teve uma época que estava com problemas com o meu filho e eles me liberavam para cuidar da minha vida. Eles davam uma confiança. Eu ia, resolvia os problemas do meu filho na escola e voltava. Se não dava para voltar eles também não achavam ruim porque sabiam que eu fazia o serviço direito. Depois eu saí da Imprensa no dia 30 de abril, mas não lembro o ano, porque uma outra moça também teve bebê e ela estava para ter o bebê e ela foi ao médico e ele falou que ela precisava ficar em casa a partir daquele dia. Aí o chefe desceu, porque às vezes eles passavam na Imprensa porque falavam que na Imprensa não se trabalhava, mas eles iam lá e viam que a gente estava trabalhando, e no dia 30 de abril, ele disse: A partir do dia 2 de maio você vai trabalhar no gabinete. No dia 1º de maio, tinha viagem marcada para Aparecida do Norte e eu fui lá e quando voltei, no dia 2, eu não subia e ele mandou ligar: Você tem de subir. Era a Geraldina a secretária. Eu fui trabalhar no gabinete, mas não me lembro o ano, quando fui substituir a Rita.
Pergunta: Quem era o Prefeito?
Resposta:
Quando entrei era o Campanela.
Pergunta: E nessa época?
Resposta:
Era o Braido. E o chefe de gabinete era o Luiz Antônio Cicarone. Eu fui substituir. E quando cheguei lá era o tal negócio, aquele monte de serviço, eu não sabia nada e não tinha quem me ensinasse, porque ela tinha se afastado e eu ia lendo e aprendendo. Às vezes ele me chamava porque ele queria as coisas e eu não sabia o que ele queria. Sempre na hora que o pessoal saía para almoçar ele queria alguma coisa que eu não sabia. Mas eu procurava e conseguia. Em matéria de trabalhar eu sempre procurei trabalhar direito, porque quando você trabalha direito o pessoal fala que você é puxa-saco. Não é isso, é que você procura fazer com que a firma vá para frente. Se eu trabalhasse numa firma, como muitas vezes a gente ouve o pessoal falar de funcionário público, mas funcionário público trabalha bem e não é valorizado. Aquele que trabalha direito não é mesmo. Lá dentro eu comecei a trabalhar e mesmo quando o Prefeito, que era o Braido, ele não cumprimentava, mas ele passava, e depois de um certo tempo alguém falou que ouviu ele falando que quando ele passava, quando era a outra moça, estava sempre cheia de processos a mesa e eu dava conta. Tanto que às vezes tinha alguma coisa, quando ele passava, e ele despachava ali comigo mesmo. Olha a confiança que ele tinha em mim. Ele passava e via tudo ali que era para ele assinar, ele assinava e nem ia para o chefe de gabinete. E ali eu fiquei, depois que o Braido saiu eu continuei e entra o Tortorello. Fiquei quatro anos com o Tortorello e depois saiu o Tortorello e entrou o Dallanese e depois ele saiu e o Tortorello voltou e fiquei mais quatro anos com ele no gabinete. Depois, na reeleição do Tortorello ele fez um remanejamento, porque ficar sempre com os mesmos funcionários não dá. Nesse remanejamento que ele fez, eu fui para o Alcina Dantas Feijão.
Pergunta: Foi trabalhar em que área?
Resposta:
Trabalhava na biblioteca. Era escriturária, mas trabalhava na biblioteca. Lá no Alcina Dantas Feijão tinha a secretaria, mas lá já estava lotado. Como na biblioteca estava faltando gente, eu fiquei lá com a Márcia. Eu fiquei lá até 2002, 2003 e pedi minha aposentadoria e em 2005 já fez um ano que eu estou aposentada.
Pergunta: E como era trabalhar na biblioteca?
Resposta:
Não era bibliotecária e não entendia nada. Eu atendia os alunos e o que eles pediam, se eu não sabia, a gente ia junto procurar o que eles queriam. Às vezes pediam coisas que eu nem sabia o que era e eu pedia para eles voltarem depois para eu procurar e quando eles voltavam, eles encontravam. Sempre o que eles pediam eles encontravam, porque tem uns alunos que freqüentam bem a biblioteca. Tanto que esses que freqüentam bem, depois lá fora a gente vê como eles caminharam bem e como fizeram um bom andamento profissional. Às vezes alguns mandavam carta do exterior, porque estavam trabalhando lá. Era bom porque os alunos que estavam ali viam como era bom estudar no Alcina. Não só no Alcina, mas em qualquer escola, porque conheço gente que estudou no Capra e se formou. A gente nunca pode falar que é a escola, mas é o aluno, porque o professor, quando ele vê que o aluno é bom, ele trabalha em cima daquele aluno.
Pergunta: A senhora falou que as outras pessoas iam à Imprensa. Os outros setores trabalhavam no mesmo esquema ou tinha outro esquema de trabalho?
Resposta:
Quando eu vou trabalhar num departamento, eu não vou aos outros. Eu ficava só ali. Tanto que trabalhei muito tempo no gabinete e nunca tinha ido à Câmara. Depois que fui para a outra Prefeitura que precisei vir ver alguma coisa na Câmara; foi quando fui à Câmara. Se eu vou trabalhar aqui, eu fico aqui. Eu não ia lá, lá e lá. O pessoal vinha muito ali onde eu estava e justo um dia, eu nunca saía, mas teve um dia que precisei sair para ver alguma coisa do departamento mesmo, o Russo, que era candidato, foi fazer uma visita à Prefeitura e entrou pela Imprensa e chegou lá e não me viu e o pessoal falou: Você nunca sai daí e quando você saiu, veio visita. É por isso. Os outros departamentos, não sei se tinha conversinha, porque eu com a Marta a gente combinava bem porque ela é aquele tipo de pessoa que se tem algo para falar ela falava para mim e não mandava recado. É ruim você estar trabalhando e ficar sabendo que alguém está falando que você não trabalha. Mas era bom por isso, porque a gente tinha esse tipo de liberdade. Se você precisava sair, eles falavam: Pode sair, vai cuidar da sua vida. Não ficavam questionando se eu tinha ido mesmo, porque de repente você sai para ver um problema seu e o pessoal fica achando que não. E quando chegavam no outro dia, eles me perguntavam se estava tudo bem, se era motivo de doença. Eles tinham uma mente bem arejada, porque eles não são de ficar martelando. Eu gostei de trabalhar com eles, com o Cabral e o Zupetrolli.
Pergunta: Quais eram as dificuldades, as responsabilidades de trabalhar no gabinete?
Resposta:
No gabinete é assim, principalmente com o Tortorello, ele era uma pessoa que queria tudo para ontem. Ele chegava de manhã com um monte de rascunhos e ele queria meia hora depois tudo pronto, porque ele queria ele mesmo levar para os departamentos. Ele saía na rua com um gravador e ele gravava as coisas que ele via, rua com buraco, depois ele fazia os rascunhos à maneira dele e trazia para a gente fazer os memorandos porque ele queria levar aos departamentos, departamento de obras. Ele dava um prazo porque ele queria aquilo pronto. Isso na primeira administração dele. Tanto que a gente corria o dia todo no gabinete. Às vezes ia alguma pessoa conhecida lá e como a gente corria sempre, a gente nem via a pessoa. Corria mesmo. Chegava em casa e ia dormir, de tão cansada, porque no primeiro ano que trabalhei com o Tortorello foi assim. Mesmo com o Braido, porque tudo que chega no gabinete, já tem de anotar, sublinhar o assunto principal, já passava para o chefe de gabinete, ele passava para eu fazer a carga. E tinha de ser tudo rápido, porque se chega alguém falando que fez tal pedido, ele vai querer saber onde está. Na minha época era assim, a gente corria muito. Só tinha aquele horário de almoço, não dava tempo para nada.
Pergunta: (Inaudível)
Resposta:
Isso foi na primeira eleição, quando éramos eu e a Geraldina. Depois entrou mais gente. Isso foi no primeiro ano, mas depois saiu o Tortorello e entrou o Dallanese e já foi mais calmo. O Dallanese tinha outro tipo de trabalho, outro tipo de atividade. Ele já trouxe outras pessoas para trabalhar. Eu não fiquei tanto lá em cima, desci para trabalhar com o Dr. Inair Dias, que já faleceu. Mas era mais calmo que na época do Tortorello. O Tortorello era muito elétrico no primeiro ano e ele queria ele mesmo levar, ele saber tudo que estava acontecendo. E ele sabia mesmo. Com o Dallanese era mais calmo. Quando o Tortorello voltou pela segunda vez, ele já voltou mais calmo. Aí já tinha a Marli que fazia os memorandos, os ofícios, ele não precisava redigir. Já estava mais calmo, mas mesmo assim era corrido trabalhar com ele. Depois, na terceira vez, eu já não estava mais lá.
Pergunta: (Inaudível)
Resposta:
Notícia boa ou ruim?
Resposta:
Ruim.
Resposta:
Quando você trabalha no gabinete você só quer que aconteçam coisas boas. Você vê que seu serviço está rendendo. De repente você trabalha muito e não aparece o seu serviço.
Pergunta: (Inaudível)
Resposta:
Quando vim para cá era tudo, do Joanin para lá, era tudo trilha. Nessa época eu não sei quem era o Prefeito, mas depois só posso falar da época do Braido, porque o Campanela foi Prefeito e depois entrou o Braido e depois voltou o Campanela. Eu comecei a trabalhar com o Campanela no segundo mandato, porque ele foi Prefeito duas vezes. Nesse ínterim, quando o Braido foi Prefeito, ele revolucionou São Caetano, porque para ir da Vila Gerti para o Santa Maria era preciso ir a São Caetano. Ele não, ele fez essas avenidas todas, asfaltou tudo, fez muitas escolas. O primeiro ano que ele foi Prefeito foi uma maravilha. Eu fui trabalhar com o Braido na terceira vez que ele foi Prefeito. Ele foi um Prefeito maravilhoso para São Caetano.
Pergunta: Com quantos anos a senhora casou?
Resposta:
Com 22 anos.
Pergunta: E como foi que a senhora conheceu seu marido?
Resposta:
Foi em São Paulo, no dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo. Eu fui lá para passear e conheci o Orlando. Nós casamos em 1963 e namoramos 5 anos, então foi em 1957 que nos conhecemos. Nós namoramos 5 anos e casamos em dezembro de 1963 e em 1964 tive o Orlandinho, meu primeiro filho, dois anos depois nasceu o Wilson. A gente casou e ficamos morando na Rua Manuel Augusto Ferreirinha e depois ele ganhou um carro e vendeu e comprou uma casa.
Pergunta: Vocês moravam com a sua mãe?
Resposta:
Não. Fomos morar separados.
Pergunta: Sua mãe ficou sozinha?
Resposta:
Ficou. Aí eu fiquei com muita pena da minha mãe. Eu arrumei a casa e não tinha espaço para a minha mãe. E como éramos nós dois, porque minha mãe, quando eu estudava no Instituto de Ensino, eu saía onze e pouco da noite e às vezes não tinha ônibus e eu tinha de tomar o Gerti e ir a pé, mas eu tinha medo e ela, coitadinha, reumática, ia a pé, devagar, para me encontrar. E quando eu descia do ônibus e via a minha mãe, eu ficava aliviada porque tinha medo mesmo. E quando eu entrava às cinco horas, ela que acordava cedo e ia comigo para o ponto, sem poder andar, porque ela tinha reumatismo acentuado. E com o casamento eu não podia deixar a minha mãe. Eu fiquei morando na casa mesmo para não sair. Aí nós ficamos procurando uma casa para comprar, que tivesse espaço para a minha mãe ficar com a gente. Ela ficou comigo até morrer.
Pergunta: E onde era essa casa?
Resposta:
Lá onde moro. Só que onde é a sala era um quarto para a minha mãe. Depois que ela faleceu eu fiz uma sala. Ela tinha o quarto dela, o espaço dela. Mesmo quando vinha visita em casa, eu a deixava ser a dona da casa. Ela que servia, que resolvia tudo, porque ela sempre foi uma provedora. Ela cuidou dos filhos sempre.
Pergunta: E quando a senhora era jovem, qual a diversão que existia em São Caetano?
Resposta:
Eu sempre gostei muito de dançar. Eu gostava de dançar e de ir ao cinema. Ia muito aos bailes e ao Cine Arte, que depois fecharam, depois o Cine Real, depois ia muito ao Cine Max. Mas era isso.
Pergunta: Os bailes eram onde?
Resposta:
Antigamente as pessoas faziam bailes nas casas. A gente dançava nas casas. Ele foi diretor do Luiz Gama, e a gente dançava lá, mas eles não tinham sede própria e eles faziam os bailes lá onde é o Cine Vitória. O baile era feito sempre ali,
Pergunta: Que tipos de músicas tocavam?
Resposta:
Samba, gremilha.
Pergunta: E Orlando Silva?
Resposta:
Não é da minha época.
Pergunta: (Inaudível)
Resposta:
Eu tinha um irmão que era muito danado, e eles saíam aos sábados e eles saíram e disseram que viram a uma mulher sem cabeça. Que a mulher desceu, eles estavam conversando, e ela passou e quando alguém quis ver quem era aquela mulher que estava com um pano cobrindo, mas não tinha cara, rosto. Saíram todos correndo. Não sei se é verdade isso, ou se alguém quis assustar, porque é uma idade de curiosidade.
Pergunta: A senhora pode falar um pouco do tempo em que a senhora dava aulas.
Resposta:
Quando terminei o ginásio, a dona Alice, uma amiga nossa, estava precisando de uma professora. Não era escola estadual, mas uma escola particular. Era um centro espírita e eles tinham lá uma comunidade deles onde eles davam aulas e as professoras eram professoras do Estado. Não sei se era por que não tinha escola, mas eles receberam umas salas e eu comecei a dar aula para o segundo ano. Eu me dava bem com as crianças, tanto que queria fazer magistério, mas não deu para fazer naquela época. Para fazer magistério naquela época era difícil, como hoje é, porque eu precisava trabalhar e magistério era só para quem tinha dinheiro. As meninas que faziam magistério só faziam de manhã. Eu precisava trabalhar e não tinha como. Mas mesmo assim eu fui dar aula, porque eu gostava. E foi muito bom. Só que as professoras faziam as reuniões só que não me chamavam, porque se me chamassem, eu ia me inteirar do que era trabalhar com as crianças. Mas mesmo assim eu fui dando aula. Aí uma professora ficou sabendo que eu não era professora e ela quis pegar o meu lugar. Ela foi ao Ministério da Educação e falou que eu estava dando aula e não era professora e eles receberam um comunicado que era para eu parar. Eu recebi o comunicado e parei. Eu não era de questionar o poder. Eu fiquei até o final daquele mês e no mês seguinte eu ia parar, fui, recebi e trabalhei até na sexta-feira e me despedi das crianças. Eles me tratavam muito bem, mas eu não podia retribuir com nada, porque ganhava muito pouco. Mas eu dava muito carinho, atenção. Eu fui trabalhar até na sexta, porque na segunda essa professora ia começar. Só que na segunda ela não foi trabalhar porque ela ficou doente. Deu uma doença nela que não quis saber o que era. Depois eu perguntei se a professora estava dando aula bem e me falaram que ela nem foi porque ficou doente e não foi dar aula. Tanto que ela quis o meu lugar. Eles precisavam arrumar imediatamente outra professora para a escola e aí foi outra.
Pergunta: Por quanto tempo a senhora trabalhou lá?
Resposta:
Foi pouco. Eu fiquei uns cinco ou seis meses. Ela ficou sabendo e começou a implicar e não queria que eu ficasse, então eu saí. Quando saio é que vou trabalhar na Cerâmica.
Pergunta: Como a senhora foi contratada pela escola?
Resposta:
A dona Alice, que era a coordenadora, me apresentou, falou que eu ia substituir uma professora. Tinha uns alunos grandes que me chamavam dona Maria. Eu achava aquilo tão gozado, mas não podia falar para me chamarem de você, porque senão eles iam tomar conta. Era bom. Eu tratava bem, tinha uns alunos que eram mais brincalhões, outros eram mais preguiçosos. Eu dava lição. Depois um filho meu foi estudar numa escola e eu perguntei para a professora por que ela não dava a lição e ela falou que no tempo em que ela ia corrigir a lição, ela podia dar aula. E é verdade isso. O tempo que você fica corrigindo a lição é o tempo que você está perdendo de dar aula para a criança. E pela minha caminhada eu aprendi alguma coisa. Tive um pouco de frustração porque eu queria mesmo ser professora.
Pergunta: Tinha material pronto para a senhora?
Resposta:
Tinha. Uma professora me orientou um pouco.
Pergunta: Para que série a senhora dava aula?
Resposta:
Para o segundo ano do primário. Era fácil porque eu estava estudando, estava no ginásio, na oitava série, não, já estava fazendo o curso técnico de contabilidade. Então, não tinha dificuldades. Eu só não tinha a parte pedagógica do professor.
Pergunta: E no tempo da ditadura militar, que a senhora trabalhava na Junta Militar, era muito rígido o sistema de trabalho?
Resposta:
Quando eu trabalhava na Junta Militar, não podia entrar com camisa estampada, não sei se podia entrar de tênis, nem com cabelo comprido. Podia entrar, mas tinha de ficar com o cabelo para trás. O que lembro da ditadura militar é isso.
Pergunta: (Inaudível)
Resposta:
Isso tinha muito. Eu saía para fazer compras e de manhã era um preço, de tarde era outro, de noite era outro, então eu me desliguei dessa parte, tanto que não me ligo muito em números, porque eu ficava muito nervosa porque a inflação era muito grande.
Pergunta: A gente pede para o depoente deixar uma mensagem final que queira deixar registrada.
Resposta:
Referente a isso ou à vida? De repente a gente faz uns retrocessos na vida, mas ultimamente não tenho feito muito, porque tenho trabalhado na igreja e não dá muito tempo e não vale pena. Às vezes fico pensando, mas alguma coisa boa eu fiz. Em todo lugar que chego eu sou bem recebida. Quando trabalhei, quando saí do gabinete, eu fui remanejada, quando eu saí de lá a dona Nete não queria que eu saísse. Ela falou para eu ficar até o final do mandato do Prefeito, mas eu saí porque era meu tempo de sair. Em todo lugar que passei eu fiz boas amizades. Em todo lugar que chego sou bem recebida porque sempre fiz boas amizades, mesmo lá na Junta, onde eu passo. Acho que não é fingimento. Eu trabalhei na quermesse e era muito bom porque o pessoal me cumprimentava, vendia bastante coisa porque eu estava lá. Então, eu fiz um bom relacionamento de amizade por todo lugar que eu passo. A sua mãe também eu conheci muito tempo atrás, agora fiquei conhecendo o filho dela, o Robson, e assim vai caminhando. A gente conhece os pais e depois conhece os filhos e depois os netos, e minha caminhada é essa. Agora estou trabalhando mais ao lado da igreja, eu vejo muito à Canção Nova, e isso me fortalece muito. A gente vê o padre levar, eu falo uma empresa, como a Canção Nova, só com a ajuda dos fiéis, é uma coisa boa. A gente aprende. Gostei muito de ter conhecido vocês, nessa convivência boa. O dia que quiserem ir à minha casa, eu moro na Rua Tocantins 174. Agradeço você, Robson, por ter me convidado para participar dessa entrevista. Obrigado.